A Ryanair retirou sua oferta para aquisição da rival Alitalia, afirmando que precisa "eliminar todas as distrações" para seu gestores a fim de reparar problemas de planejamento, que a levaram a cancelar cerca de 18 mil voos, na última quarta-feira (28).
A companhia irlandesa de aviação de baixo custo cancelou voos que atenderiam a mais de 400 mil passageiros, no período entre novembro e março, menos de duas semanas depois de cancelar cerca de 2,1 mil outros voos, que atenderiam a 315 mil passageiros.
A Ryanair anunciou na quarta-feira que havia notificado os liquidantes encarregados de administrar a Alitalia que não levaria adiante seu interesse pela aquisição da companhia de aviação italiana.
"A fim de nos concentrarmos na solução de nossos problemas com escalas de trabalho, nos próximos meses, a Ryanair vai eliminar todas as causas de distração para seus gestores, a começar pelo nosso interesse quanto à Alitalia", afirmou a companhia em comunicado.
Desde os cancelamentos, a Ryanair vem enfrentando reações adversas na Itália, que é um de seus grandes polos de operações. As autoridades antitruste do país lançaram na semana passada uma investigação sobre a suposta violação de direitos dos consumidores, e ministros importantes do governo italiano criticaram a condução da situação pela empresa. Carlo Calenda, ministro do Desenvolvimento Econômico, e Graziano Delrio, ministro do Transporte, pediram "tolerância zero" com relação à companhia irlandesa.
"O que aconteceu com a Ryanair é muito sério porque o desserviço aos cidadãos foi substancial", disse Calenda na semana passada, acrescentando que quando a oferta da empresa pela Alitalia fosse considerada, o governo não poderia ignorar "as condições dos trabalhadores".