Em busca de conforto e qualidade no atendimento, turistas brasileiros e estrangeiros estão investindo em um nicho de mercado que vem ganhando espaço no Brasil: o turismo de luxo. Ao contrário do que se vê na Europa, onde o segmento é voltado para a ostentação, no país o luxo está relacionado à valorização da cultura local e ações de sustentabilidade.

Com empreendimentos fincados à beira mar, embrenhados em florestas ou com vistas privilegiadas para o campo, empresários ligados a hotéis de luxo assistiram ao aumento da receita em 11% em um ano, passando de R$ 572,6 milhões para R$ 632,8 milhões entre 2012 e 2013. O número de hóspedes chegou a mais de 148 mil no mesmo período, de acordo com a Associação Brasileira de Viagens de luxo, a BLTA. Metade dos hóspedes é do próprio país (50%), seguidos pelos norte-americanos (22%) e europeus (14%), segundo a associação, que reúne hotéis, resorts, pousadas e operadoras do setor de luxo no Brasil. Entre as motivações, o trabalho aparece no topo da lista (51%), seguido pelo lazer (29%).

“O turismo de luxo muitas vezes é relacionado a hospedagens esnobes e inatingíveis. Na realidade, esse segmento tem como preocupação, além da satisfação do cliente, a valorização da cultura e das tradições do lugar, e da promoção do desenvolvimento local e ambiental”, diz Simone Scorsato, diretora executiva da BLTA. Em Maceió, por exemplo, uma rede de hotéis pioneira no país no conceito ecochic (sustentabilidade com sofisticação) une elegância, natureza exuberante e preservação ambiental. Com uma arquitetura de baixo impacto no Meio Ambiente, o hotel utiliza grande parte da matéria-prima nativa em suas construções, como a piaçava, o bambu e a tala de dendê. A rede tem ainda programas socioambientais para minimizar os impactos na região, como o trabalho em parceria com o Projeto Tamar para a preservação das tartarugas marinhas que desovam na costa do município, e o trabalho de sensibilização dos pequenos agricultores da região para uso sustentável dos recursos florestais da Mata Atlântica.

No Rio de Janeiro, uma operadora oferece experiências inusitadas, que superam as ofertas dos circuitos turísticos tradicionais. No pacote, estão desfile em uma das famosas escolas de samba do Carnaval carioca, treinamento de sobrevivência com o exército brasileiro no meio da Floresta Amazônica e passeio de balão sobrevoando as Cataratas do Iguaçu. Isso tudo é exclusividade, associado ao luxo. Já um hotel rodeado por uma vila de pescadores em Governador Celso Ramos, uma península no litoral de Santa Catarina, se destaca pelas trilhas guiadas a pé ou de bicicleta, passeios de helicóptero e parapente (voo livre). O conforto e a tecnologia das instalações não interferem na gestão ambiental, que é prioridade do resort. Toda a iluminação é feita com lâmpadas econômicas e há aproveitamento de energia solar. A mata nativa é reflorestada e prioriza-se o uso de materiais naturais aos industrializados. Além disso, a maior parte dos profissionais mora na própria região, gerando emprego e renda aos moradores locais.

Os benefícios do turismo de luxo são sedutores, mas o visitante interessado nesse segmento deve se preparar para fazer o projeto caber no bolso, já que o valor médio das hospedagens em hotéis de luxo é de R$ 1.000 a diária por quarto, e o gasto médio da viagem é de R$ 9.980. O empresário paulista Marcelo Orpinelli, de 50 anos, afirma que o investimento pode compensar. Ele se tornou cliente fiel de um resort de luxo em Alagoas. “Toda a equipe me conhece, sou tratado pelo nome desde a chegada até a hora de ir embora. A infraestrutura é completa ao combinar natureza preservada, atendimento personalizado, gastronomia e segurança. Volto sempre que posso”, diz. Já a advogada Fernanda Braga, de 50 anos, que passou o último réveillon em um resort de luxo em Itacaré, no sul da Bahia, diz que o serviço dedicado a cada um dos hóspedes é o ponto alto de uma viagem para um destino de luxo. “Ter um tratamento único, exclusividade e conforto nos faz sempre pensar em voltar”, conta.