Ao assumir o MTur, Henrique Eduardo Alves irá trazer um peso politico

 

Claudio Magnavita*

A posse do novo ministro Henrique Eduardo Alves no Ministério do Turismo inicia um novo ciclo na história da pasta. Ele encontra uma casa arrumada. O grande mérito do seu antecessor, Vinicius Lages foi o de reconstruir as pontes, principalmente com o setor turístico que havia sido execrado por Gastão Vieira.

Baixinho, medroso e falante Gastão ocupou o ministério no susto e, como personagem hibrido, meio câmara e meio senado, seguidor da cartilha do ex-Senador José Sarney.

É preciso lembrar que a pasta do turismo, na partilha realizada com o PMDB foi destinada à bancada do partido na Câmara. Todo mundo sabia disso. O primeiro ocupante foi o então deputado Pedro Novais. Aliás, é preciso a história fazer justiça a este ex-ministro. Ele compreendeu o setor e estava empenhado na regulamentação da Lei Geral do Turismo.

No seu colo explodiu a Operação Voucher e ele soube conduzir a pasta neste período tumultuado. Foi abatido na batalha da mídia por que a estrutura de comunicação que dispunha além de cruzar os braços alimentava a fogueira de maldades. A gota d’agua foi o uso de um motorista particular por sua esposa, que estava lotado no gabinete do seu suplente na Câmara.

A escolha de Gastão foi um festival de infelizes coincidências: era deputado, era do Maranhão como Novais, por ser ligado à educação ganhou um aval do ex-ministro Mares Guia e pela presidenta Dilma ter ido naqueles dias a Belo Horizonte.

Gastão acordou deputado e virou ministro em um final de tarde. Do turismo só conhecia o setor como turista. Foi escolhido sem que houvesse um consenso na bancada do PMDB. Na verdade, foi mais um ministro do Sarney do que um ministro que representava os seus colegas da Câmara. Foi ai que começou o martírio da bancada do PMDB.

O jeito ardiloso do Gastão levou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves a subir nas paredes logo nas primeiras semanas. O ministro chegou a nomear a senhora Suzana Dieckmann como secretária nacional de Programas, contrariando a indicação do nome do baiano Fabio Mota realizado pela liderança. Justificou alegando ser um erro da Casa Civil, só que o pedido de nomeação foi assinado por ele. Com a crise instalada, foi chamado às pressas pelo Vice-Presidente Michel Temer, largando a feira da Abav para trás e quase foi demitido.

Suzana foi exonerada a La Viúva Porcina, aquela personagem que “foi sem nunca ter sido”. Fábio Mota foi finalmente nomeado e passou a ser o verdadeiro representante da bancada do PMDB no ministério. Todos os deputados tratavam Mota como o verdadeiro ministro, de fato.

Com a chegada de Vinicius Lummertz na Secretaria de Políticas do Turismo, a gestão de Vieira ganhou uma lufada de bom senso. O trade ganhou um interlocutor e finalmente projetos ligados à atividade fim foram elaborados. O bom desempenho de Lummertz  foi acentuado com o apoio que os projetos receberam do Lajes.

Entre as estripulias de Gastão, estava a missão de infernizar a vida do seu Secretário Executivo, Valdir Simão, hoje ministro da CGU e o verdadeiro responsável por fazer a faxina da operação Voucher.

Gastão Vieira foi um ministro que tinha medo da própria sombra. Vivia no meio de fantasmas e cada vez mais dedicado ao Sarney e aos senadores. Toda semana se esforçava para ir e vir de São Luiz de carona no avião do chefe supremo, para quem mostrava serviço tentando prejudicar a vida de Flavio Dino (hoje Governador do Maranhão) deixando a Embratur a pão e água.

A situação de Dino piorou depois que Simão resolveu deixar o clima de hospício e foi trabalhar diretamente com Dilma. Até na saída de Simão, Gastãozinho tentou puxar a paternidade da festa de despedida, organizada pelo Conselho Nacional de Turismo, para homenagear Valdir Simão, que ganhou o respeito do trade e foi o verdadeiro autor das ferramentas de controle do MTur, adotadas depois por todo o governo.

Cada vez mais Senado, o deputado e então líder do PMDB, Eduardo Cunha visitou, furioso, o Gabinete de Gastão cobrando os quase R$ 30 milhões em emendas parlamentares que, simplesmente, evaporaram por sua culpa.

Ao resolver sair para concorrer ao Senado, já que não se sentia mais deputado, Gastão conduziu tão mal o processo e assistiu risonhamente a fritura dos nomes que a bancada apresentava, que o ministério caiu no colo dos senadores peemedebistas e, assim, Vinicius Lages foi nomeado.

Gastão tentou repassar todos os seus fantasmas sem sucesso e Lages descobriu que o Ministério estava isolado. Gastão Vieira havia dinamitado todas as pontes, inclusive com a própria bancada.

O turismo teve a sorte de ter uma pessoa do setor no comando da pasta e que arrumou a casa em 13 meses e, fez mais, reaproximou o Ministério da Câmara, apesar de ter sido indicado pelo Senador Renan Calheiros.

Ao assumir o MTur, Henrique Eduardo Alves irá trazer um peso politico similar ao que Walfrido Mares Guia e depois Marta Suplicy trouxeram para a pauta do turismo.

A chegada de HEA recompõe o tabuleiro do acordo partidário na formatação original. O turismo nunca teve uma fase de fortalecimento politico similar. A estrutura de comando da Câmara e da liderança do PMDB com os deputados Eduardo Cunha e Leonardo Picciani são ligadas ao maior destino turístico do país, o Rio de Janeiro.

O turismo vai nadar de braçada nesta equação politica. O setor não pode desperdiçar este oportunidade para tirar do papel as grandes medidas. Um dos nomes mais importantes da republica escolheu abraçar o turismo. E quer entrar para história como o grande Ministro do Turismo do Brasil. O tempo de mediocridade do ‘Rolando Lero’ do Gastão chegou ao fim. Ainda bem que tivemos o Lages, reconstruindo as pontes e arrumando a casa para o grande salto que o setor poderá ter com Henrique Eduardo Alves, que encontra a casa arrumada e poderá se concentrar em uma agenda com grandes temas.

Claudio Magnavita, é presidente do Jornal de Turismo, membro do Conselho Nacional de Turismo e ex- Secretario de Estado de Turismo do Rio de Janeiro.

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