Por Cláudio Magnavita *

 

A preservação da pasta do Turismo é a primeira conquista do ministro Henrique Eduardo Alves. Se não fosse a defesa que ele fez do setor, o Mtur seria absorvido como ocorreu com setores parrudos como Comunicação e Cultura. É a segunda vez que Alves coloca o seu peso político em defesa do turismo.

Como foi o primeiro ministro do PMDB e praticamente o único a renunciar, ele aumentou seu peso político e demonstrou absoluta fidelidade ao presidente-interino Michel Temer e ao partido. Aliás, o turismo deu exemplo: o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz foi o primeiro do alto escalão a entregar o cargo.

Foi Henrique que escolheu voltar para o turismo. Ele saiu aplaudido ao lutar pela MP que reduziu o percentual de remessa ao setor. 

Nesta nova fase, ele poderá corrigir alguns pontos negativos da sua primeira passagem pela pasta. 

O ministério sofreu uma reestruturação que reduziu muito a sua atuação nas atividades fins. O encolhimento da Secretaria Nacional de Políticas, reduzida para qualificação e promoção, foi um erro. Ela ocorreu sem ouvir o Conselho Nacional e as suas atribuições mais importantes foram pulverizadas para várias áreas. A regionalização, alma da gestão de Mares Guia, encolheu. 

Na prática, o Mtur virou uma pasta estruturante perdendo a capacidade de fomentar políticas setoriais.

Outro ponto fraco foi o encolhimento da participação do Conselho Nacional, que por regimento tem que realizar reuniões trimestrais e que no quase um ano de Alves só teve um único encontro.

Nessa reunião, vale lembrar que o Ministro permaneceu só na abertura e teve de sair por causa de uma situação emergencial. Os conselheiros queriam apresentar os seus pleitos e ficaram frustrados. 

Mares Guia, Marta Suplicy, Pedro Novais e Vinicius Lages dedicavam uma atenção absoluta a estas reuniões .

A necessidade do fortalecimento do Conselho resultou na formalização do Conselho Gestor pelo ministro Alessandro Teixeira, através de portaria e a designação de uma servidor para auxiliar na secretaria do CNT. Também está sendo desenvolvido um espaço na web a exemplo de outros conselhos nacionais. Na sua curta passagem, Teixeira conseguiu reunir o CNT e colocou na fila de assinatura do Planalto a convocação da Conferência Nacional de Turismo. Uma pauta importante que foi esquecida que ficou na marca do Gol para o Temer.

Como homem do parlamento, Henrique Alves terá no Conselho Nacional uma importante ferramenta de apoio, a exemplo da maioria dos seus antecessores. Afinal, o CNT é o parlamento do nosso turismo.

Um outro ponto que merece atenção  é a necessidade da promoção internacional. É necessário uma posição mais robusta financeiramente no exterior e aproveitar o período pós-olímpico. Não podemos reeditar o fracasso do pós-Copa. Uma vergonha.

Henrique Eduardo Alves retorna ao comando do turismo trazendo muita esperança a todos os setores produtivos. Temos uma Olimpíada e Paralimpíada pela frente. Projetos importantes estão engatilhados e podem trazer de volta o ministério ao protagonismo olímpico, espaço que perdeu para Cultura, por exemplo na gestão da Casa Brasil.

A torcida pela nomeação de HEA, como ele é chamado pelo grupo mais íntimo, foi grande. A nomeação de um neófito do setor traria prejuízos já que faltam menos de 80 dias para as Olimpíadas. Agora ele chega como um especialista , como um de nós. É diferente da sua primeira passagem, onde foi uma agradável surpresa. Agora com as expectativas em alta ele não pode decepcionar. O MTUR tem um excelente corpo funcional e o staff de assessores diretos do novo ministro já conversou com o setor. O turismo precisa, como nunca, do peso político que ele traz para poder desengavetar projetos importantes que ficaram encalhados nos últimos anos . Com uma Olimpíada e Paralimpíada pela frente a sua responsabilidade é enorme.

 

*Cláudio Magnavita é conselheiro do Conselho Nacional de Turismo

 

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