Pin It

É preocupante os primeiros passos do Governo Estadual do Rio na promoção internacional. O estado não compareceu à primeira grande feira que abre o calendário internacional, a Fitur e nem enviou o material realizado no final da gestão passada, por ironia do destino, com verba de uma emenda do então deputado federal Otavio Leite, hoje secretário de turismo.

Enquanto estados como a Bahia e o Ceará investem em estande próprio nas feiras, inclusive na Fitur, o estado do Rio não enviou um único representante. O balcão destinado ao Rio é ocupado por uma única funcionária do Rio Convention & Bureau, da cidade do Rio, ou seja, o interior fica completamente desassistido.

O secretário Otavio Leite justificou a ausência do Rio devido ao contingenciamento total do estado, o que contradiz o discurso do Governador Wilson Witzel, realizado durante almoço no hotel Hyatt com lideranças empresariais. No encontro realizado em janeiro, Witzel prometeu participar das feiras e de investir uma verba igual a da Embratur para promover o turismo, que ele considera o novo petróleo do Rio.
Na FIT em Buenos Aires, a Setur RJ, mesmo em final de Governo, fez um ótimo trabalho de promoção.

Pode piorar

O fiasco do Rio na Fitur pode ser agravado na BTL , a feira de turismo de Lisboa. O Convention & Bureau declinou até do balcão do estande cooperado da Embratur e riscou a feira do seu plano estratégico, ou seja, o Rio estará completamente fora de uma feira realizada em um mercado que possui 17 vôos semanais para o Galeão e no qual a transportadora de bandeira, a Tap possui 79 frequências semanais para o país, trazendo passageiros de toda a Europa.

Só a articulação com uma parceira como a Tap justificaria esta ação, porém para a BTL, os organizadores trazem mais de 300 bayers de todo europa, que vendem Portugal e o Brasil. Deve levar também em conta os laços históricos entre o Rio e Portugal.

Situação é crítica

O discurso otimista do Governador Witzel vem perdendo fôlego na medida que a penúria do estado é revelada pelo seu secretário da fazenda. A Setur deverá perder 40% do seu quadro, a maioria comissionados, já que a secretaria não possui funcionário de carreira e a TurisRio, ainda acéfala, foi abalada pela notícia da sua extinção anunciada pelo Governador na sua ida a Cabo Frio. Os cargos comissionados na Empresa não sofrem reajustes há mais de 12 anos e os valores são mínimos. A media salarial dos comissionados é inferior a R$ 2,3 mil, valor que nunca foi reajustado e alvo de processo na Justiça do Trabalho movido pelo sindicato.

Quem mais sofre com a falta de pulso do estado na promoção do turismo é a iniciativa privada, especialmente a hotelaria que, para atender os cadernos de encargos da Copa e da Olimpíada, dobrou de tamanho.

Quando o turismo foi comandado pelo PSC, o mesmo partido do Witzel, a Secretaria esteve em todas as feiras internacionais e no calendário de eventos da Embratur.

Na BTL, sem o Convention & Bureau e a Setur, o estado do Rio estará completamente fora. A Bahia, Ceará e outros estados já confirmaram seu espaço próprio. É importante seguir o exemplo dos cearenses que, atravessando um crise forte na área de segurança, fizeram ao contrário do Rio. Participam com um estande próprio e tranquilizam os mercados emissores com um corpo a corpo dos seus atuais dirigentes.

Revista do Rio

A ausência do estado foi compensada pela circulação de uma edição especial em espanhol da JT Magazine, 100% dedicada ao Rio, distribuída no estande da Embratur e em pontos estratégicos da Feira. A revista é uma parceria da hotelaria do Rio, Embratur TAP e Riotur. Será, no dia de público final, sábado e domingo, o único material que será distribuído no estande do Brasil