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Por Claudio Magnavita*

O presidente Jair Bolsonaro, na sua “live” do último dia 28 de março, surpreendeu a comunidade empresarial do turismo ao apresentar e carimbar a demissão da Presidente da Embratur, sobre a realização de um jantar de R$ 290 mil reais. O Presidente da República está certo na sua indignação se o fato fosse apenas este: um banquete de 290 mil pago pelo erário público. Na “live”, ele teve o endosso do próprio Chanceler Ernesto Araújo que estava no seu lado.

O Presidente tem sido aclamado pelo setor do turismo por compreender a importância econômica da atividade e de ter tomado medidas históricas que arrancaram aplausos, como a manutenção da própria pasta e a isenção dos vistos para americanos, canadenses, japoneses e australianos.

No caso da “live”, as informações que chegaram ao presidente foram parciais. O julgamento foi realizado de forma superficial, o que o levou, no seu jeito autêntico e explosivo, a emitir uma opinião intempestiva e de certa forma injusta com as pessoas envolvidas. É preferível acreditar na desinformação ao acreditar que a ira presidencial tenha sido motivada pela contratação do cantor Alceu Valença, um assumido desafeto do atual governo.

Vamos aos fatos que deveriam ter sido repassados ao Presidente da República para que o seu julgamento fosse pleno:

1. Será realizado em São Paulo de 02 a 05 de abril a World Travel Mark - WTM Latin American. É a edição latino-americana da maior feira de turismo do mundo, realizada anualmente em Londres. É o evento mais internacional do calendário de feiras de turismo do nosso continente.

2. Estarão presentes mais de 100 compradores internacionais do Brasil no exterior, que são trazidos pelos organizadores para se atualizar sobre o país e fazer negócios.

3. Da WTM participam mais de 50 países, como expositores e neste ano inclusive, a China montou o seu estande. Os Estados Unidos ocupam uma das maiores áreas.

4. O Brasil, através do Ministério do Turismo participa como expositor, cedendo espaço para os estados apresentarem os seus produtos. O investimento público é de R$ 1,9 milhão, plenamente justificado.

5. Este é um dos raros eventos que a Embratur atua no Brasil, por ser uma feira planetária realizada em nosso território e com interlocutores de todo o mundo. Como anfitriã coube ao Instituto de Turismo a cota da solenidade de abertura, com um jantar show que desse as boas-vindas aos maiores compradores do destino Brasil e as delegações dos 50 países que nos visitam.

6. A WTM-LA 2018 superou, segundo seus organizadores, as expectativas da organização e recebeu 11.963 profissionais de turismo durante sua sexta edição, que aconteceu de 03 a 05 de abril. O número representa um aumento de 7% em relação ao ano passado. Do total, 8.033 (número em processo de auditoria) são visitantes únicos, que é o volume de pessoas que visitaram o evento, sem considerar a quantidade de vezes que elas o fizeram. Esse número é 3,6% maior que o gerado em 2017, que foi histórico para o evento, quando o crescimento foi de 18% em relação a 2016.

7. A Embratur foi neste primeiro trimestre, com a dedicação de toda a sua equipe, a grande relações públicas do Governo Bolsonaro no exterior, nas Feiras como Fitur Madri, ITB Berlim e BTL Lisboa, sempre em parceria com as embaixadas locais e mostrando ao mundo que o turismo ganhou destaque no atual governo. Atuação que foi aplaudida pelos setores produtivos do turismo.

O grande paradoxo é que exatamente no momento em que o Brasil é o anfitrião de uma grande feira de turismo internacional, e no momento em que devemos promover a isenção do visto, que ocorre esta confusão, ganhando escala maior pela participação involuntária do Presidente da República que foi munido de informações parciais.

A WTM 2019 deverá gerar mais de U$ 100 milhões em negociações para o Brasil. A cota de apoio da Embratur foi inferior a U$ 100 mil dólares, carimbados erroneamente como um rega-bofe milionário. A sua presidente, Teté Bezerra não é uma neófita em turismo. Foi secretária estadual, diretora e secretaria nacional do Mtur. Ela sabia que o seu ciclo no atual governo chegava ao fim. Manteve-se no cargo com absoluta correção e não merecia, nesta sua saída, ser atropelada por uma percepção parcial dos fatos. O Presidente Bolsonaro tem a capacidade rara de reconhecer os seus erros e de corrigir os rumos. Neste caso da Embratur, com todos elementos em mãos, ele poderá exercer um julgamento mais preciso e ser plenamente justo. A informação, com dados parcial, acabou gerando a primeira grande fakenews no turismo.

Cláudio Magnavita é jornalista de turismo, membro do Conselho Nacional de Turismo e ex-vice presidente do Fornatur-Forum Nacional de Secretários de Turismo