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Por Claudio Magnavita*

Dentro de alguns anos, o que está ocorrendo com o Ministro do Turismo, ou melhor, com o cidadão brasileiro Marcelo Álvaro Antônio poderá ter um paralelo muito próximo ao que ocorreu com o episódio da Escola de Base, em São Paulo. Um fato que entrou para os anais sobre o perigo do julgamento midiático e a utilização da imprensa para implodir a honra de uma pessoa.

O que ocorreu esta semana de abril de 2019 é ainda mais preocupante. Assistimos ao alinhamento de um interesse paroquial partidário com o as manchetes de um jornal nacional.
A Folha de São Paulo fecha os olhos aos questionamentos básicos que um veículo deve fazer antes publicar qualquer denúncia: descobrir qual será o lucro do denunciante. No caso da estreante deputada do PSL mineiro é gritante. Ela abate a reputação do deputado ministro, ele reassume o mandato e o suplente que hoje lhe faz sombra no Vale do Aço volta para casa. Ela consegue também uma notoriedade, vedada a maioria aos estreantes.

Dois paradoxos alimentam ainda este caso: a votação expressiva do Marcelo Álvaro ajudou a sua “algoz” a se eleger e a impunidade partidária que prolifera como um câncer no PSL, alimentando as brigas internas. Há uma estranha modalidade de tiro ao alvo, no qual deputados fuzilam seus colegas de legenda e ficam impunes.

É o lado antropofágico do PSL que vem impedindo a consolidação da legenda.

No caso do Marcelo Álvaro, as acusações sem provas norteiam todas as denúncias, inclusive esta última: a de ameaçar a vida da colega de bancada. É risível a denúncia. Não há uma única prova. A deputada optou por alimentar a cruzada Folha contra o colega ao invés de levar a questão à direção da sua legenda. É importante lembrar que é o partido o verdadeiro dono dos dois mandatos em choque.

O que temos hoje não é um Ministro sendo fuzilado e nem um deputado em conflito com alguns pares. O bombardeio tem sido tão insano que já atinge a pessoa física, o chefe de família, o pai, o cidadão Marcelo.

Este caso merece uma reflexão. A campanha de difamação é contínua. Na escola de Base, a punição da mídia nunca retratou o prejuízo causado a estes inocentes imolados em praça pública pela mídia. A diferença é que agora só a Folha e por tabela O Globo fazem esta campanha. Há um inquérito e uma investigação. Se ele for culpado, será punido. O princípio da presunção inocência é universal. A resistência hoje não é para manter uma cadeira, mas para defender a honra de um nome.

O perigo maior é ver uma briga paroquial ganhar dimensões nacionais e ser colocada como munição de uma campanha que poderá entrar para novamente para os anais do perigo do julgamento midiático e da condenação antecipada pelas manchetes.

*Claudio Magnavita é jornalista

Conheça o caso da Escola de Base, uma das páginas mais negras do jornalismo brasileiro: http://www.justificando.com/2014/12/10/da-serie-julgamentos-historicos-escola-base-a-condenacao-que-nao-veio-pelo-judiciario/