Pin It

Por Cláudio Magnavita*

A Embratur virou um órgão da Presidência da República? Não existe mais Ministério do Turismo? Na live que assistimos hoje ao vivo, não vimos em nenhum momento referência ao Mtur.

O convite da posse solene no próximo dia 29 chamou atenção da Coluna Radar da Revista Veja exatamente por não citar o Ministério.

O curioso é que o mais importante não foi tratado na Live: a transformação da Embratur em agência. Com esta mudança, que está na reta final, o Brasil sairia da penúria de verba e passaria a ter R$ 400 milhões para promoção.

No final da live, o Presidente Bolsonaro dá uma boa notícia: pediu ao Ministro Guedes para repor o corte de R$ 5 milhões (que foi linear e atingiu a todos). Ao revelar isso, o presidente abre jurisprudência para que todos os órgãos atingidos façam o mesmo. No final o nosso Presidente justificou: “você assumiu agora e tem que fazer turismo, tem que viajar e não pode ficar dormindo”.

Assistam a live... é auto-explicativa. Assistam!

Como a nova Embratur resolveu assumir um olhar nordestino, e depois do afastamento intempestivo do Paulo Senise, o Rio, São Paulo e outros destinos como Foz e o Sul só não se sentem órfãos por que o Ministro Marcelo Álvaro tem olhado com carinho também para estas regiões.

O novo Presidente da Embratur deve aproveitar sua “amizade” com o Capitão para focar prioritariamente a transformação da agência. Aliás, algum assessor deve avisá-lo que a conquista da Air Madrid, que ele citou como novidade, foi uma conquista do Ministro Marcelo Álvaro que, autorizado pelo próprio Presidente, se deslocou em companhia do Secretário Executivo do Mtur, Daniel Nepomuceno, até a Espanha para fechar o acordo com a empresa espanhola.

Também que os dados que ele deu ao Presidente sobre o aumento do fluxo de reservas internacionais com a isenção do visto, não teve como fonte a ABIH-Nacional (Associação de Hotéis), e sim o próprio Ministério e que o Presidente Bolsonaro já havia compartilhado nas redes sociais.

Quem leu o Diário Oficial de hoje (23) sabe que o novo presidente da Embratur terá motivos de lembrar a existência do Ministério do Turismo, ao qual está formalmente subordinado. Foi revogado a portaria assinada pelo ex-ministro Gastão Vieira que permitia que os DAS, 1,2,3 e 4 fossem nomeados diretamente (por delegação) pelo presidente do Instituto. Agora não pode nomear nem um copeiro.

Os funcionários comissionados, que formam a maioria dos quadros gerenciais, respiraram aliviados com o ato de hoje.

O fantasma da ameaça de degola era geral. Só a tropa de choque do novo dirigente, que se instalou no quarto andar nos últimos dias, sem que nenhum dos integrantes estivesse legitimado para pedir documentos, folha, bloquear sistemas, lista de cargos e usando a estrutura física ocuparia toda as vagas existentes.

Aliás, a zelosa Associação de funcionários da autarquia, com um histórico de vitórias, estudava seriamente fazer uma denuncia ao MP pela possível ilegalidade da presença de pessoas estranhas a estrutura oficial do turismo.

No meio de tantas vitórias no turismo conquistadas neste primeiro trimestre, esta ruptura do equilíbrio com a Embratur ignorando o Ministério é preocupante e pode afetar este cenário de vitórias. A sensação é que deixamos de nadar de braçada e passamos engatinhar novamente entre vaidades e conflitos injustificáveis.

*Claudio Magnavita é conselheiro do Conselho Nacional de Turismo e ex-Secretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro

Confira neste link a live do presidente Jair Bolsonaro.