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Por José Osório Naves *

O turismo no Brasil, mesmo depois da criação da Embratur, há pouco mais de meio século, continua emperrado no mesmo patamar no que se refere ao receptivo internacional. Os principais gargalos são perfeitamente identificáveis: a falta de informação positiva do Brasil, as campanhas de marketing malfeitas sem objetivo pragmático de mercado, e acima de tudo falta de continuidades de campanhas a cada dança de cadeira, tão frequente, na EMBRATUR e no Ministério do Turismo.

Para mostrar “modernidade”,” criatividade” e “serviço” sem ter o que fazer, quer mudar a Marca Brasil, americanizado Brazil trocando o S pelo Z). Chega a ser ridículo. No que isso vai mudar na imagem do nosso País no Exterior, onde nós mesmos propalamos os malfeitos políticos e a miséria humana? Por que quando um estadista dos países desenvolvidos chega nosso principal portão de entrada, o Rio de Janeiro, quer conhecer, antes de tudo, as favelas? Cristo Redentor, o Arpoador, nem falar. Porque essa é a informação recorrente que recebem.

Há até tours nas favelas para turistas tirarem fotografias com armas de guerra nas favelas, com os consentimentos dos criminosos. É o famoso “complexo de vira latas”, que diria Nelson Rodrigues, para sermos diferentes inferiorizados até no nome. Ao gênio da mudança pense em fazer algo propositivo no marketing internacional para limpar a imagem, não alterar nossa ortografia original apenas para sermos “modernos arcaicos”.

Segundo o presidente da Embratur, o órgão tem apenas 13 milhões de dólares para a promoção do turismo. Isso se comparado aos 450 milhões de dólares que o México, de Cancun, que tanto deslumbrou o Presidente ou os 70 milhões de dólares que o Peru, nosso pobre vizinho investe, com absoluto retorno, no seu turismo.

Para seu sucesso, nunca mudaram de nome. Só trabalho com seriedade e pragmatismo. Se o dinheiro já é ridiculamente pouco, por que não o gastar com tamanha iniquidade. Porque não ressuscitam, no Brasil com S, as belas campanhas paradas por falta de investimento e continuidade? Cito algumas iniciativas que não tiveram continuidade: João Dória, quando presidente da Embratur, criou o “Passaporte Brasil’ (com S) dando desconto a visitantes estrangeiros em hotéis e passagens aéreas. O Plano de Municipalização do Turismo, trabalho de Caio Carvalho ou ainda, o Plano Aquarela e a Conta Satélite, de Mares Guia. Para que ressuscitar Planos tão bons.

O melhor é jogar o parco dinheiro fora apenas para agradar os países de língua inglesa. Modernidade ou imbecilidade?

* José Osório Naves é jornalista