Por: Fernanda Brigatti

A GRU Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (Grande SP), quer ampliar sua participação no transporte de cargas no Brasil.

De um grande conector de passageiros, o aeroporto quer se tornar um hub de cargas, João Pita, diretor comercial e de cargas da concessionária.

Para isso, deve iniciar no segundo semestre deste ano a ampliação de seu terminal de cargas, que receberá três novos galpões em uma área de 60 mil metros quadrados (um pouco de 40 mil metros quadrados em área construída).

O investimento deve ficar entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões e será feito pela Brookfield -o nome da empresa foi divulgado nesta quarta (16), durante a feira de logística Intermodal, em São Paulo. Atualmente, o Teca, como o terminal de cargas é chamado, tem 145 mil metros quadrados. Os novos galpões ampliarão a área em cerca de 25%.

Para o diretor comercial da concessionária, a experiência na gestão de passageiros dá condições de o terminal avançar no segmento de cargas. "É inegável, quando você está em qualquer lugar do mundo, que Guarulhos está em uma posição central no transporte de passageiros. Se somos capazes de fazer isso com passageiros, certamente vamos ser capazes de fazer na carga. E ela não se queixa de passar horas esperando."

O complexo aeroportuário de Guarulhos tem vantagens em relação a outros grupos logísticos instalados na região. Enquanto as empresas caçam terrenos com acesso fácil ao aeroporto, o Teca está no meio de dois importantes braços da rede logística: as pistas de pousos e decolagens e a rodovia Hélio Smidt (SP-019), que liga o completo à Ayrton Senna (SP-070).

O acesso às pistas, diz Pita, é uma "vantagem imensa" para a estratégia de posicionamento como hub de cargas. "Recebemos um avião cargueiro do porte de um 747 [aeronave da Boeing] por dia em encomendas expressas", diz Pita.

Somente da companhia americana Atlas são seis a sete voos semanais exclusivamente de cargas. Há alguns dias, a Qatar Airways passou a operar um voo semanal exclusivo para a atender a rota Hong Kong-São Paulo, por meio de uma parceria com a Cainiao, braço logístico do grupo Alibaba.

O diretor comercial da GRU diz que o plano de expansão no segmento de cargas é anterior à pandemia, quando o ecommerce ganhou tração no Brasil. Vem, segundo ele, do início da concessão, há dez anos, quando o complexo de Guarulhos não atuava na área.

De 2019 para 2021, o setor de cargas cresceu 15,5% somadas as operações de importação, exportação e courier (entregas rápidas) e respondeu por 57% da receita tarifária total do aeroporto.

"O que a pandemia nos trouxe foi a necessidade de a indústria ser mais eficiente. Temos a oportunidade de ligar a portaria 93 à necessidade de as empresas reduzirem seus custos e ao nosso posicionamento geográfico. Quando juntamos as três coisas, a pandemia foi o empurrão", afirma.

O acordo com a Brookfield para a ampliação do Teca é o primeiro desde a publicação da portaria 93, de julho de 2020, citada por Pita. Essa norma permitiu a assinatura de contratos com duração superior ao da duração da concessão. Eles poderão durar até 40 anos.

Para o executivo, a portaria deu mais segurança jurídica aos investidores, que têm a garantia de que o contrato será obrigatoriamente mantido quando nova licitação para gestão do aeroporto for realizada. A GRU Airport administrará o complexo de Guarulhos até 2032.

A expectativa da concessionária é que os novos armazéns comecem a ficar prontos em meados de 2023. A Brookfield vai gerir os espaços, mas o objetivo final é local para as empresas de cargas. "Fizemos a opção de separar quem opera de quem investe. As empresas não querem se preocupar com isso, elas querem usar o armazém de acordo com suas necessidades. Hoje, não tínhamos armazéns desse tipo para elas."

Atualmente, passam pelo complexo aeroportuário de Guarulhos mais de 50% das exportações brasileiras, principalmente de produtos perecíveis. Na carga expressa, o aeroporto tem 44% do mercado, somados à importação, exportação, courier e mala postal.

Por: Leonardo Vieceli

O impasse sobre o modelo de concessão do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, tem novo capítulo. Desta vez, a prefeitura carioca critica o governo federal ao afirmar que foi excluída do grupo de trabalho encarregado de discutir eventuais mudanças no edital do aeroporto.

O grupo de trabalho iniciou as atividades na quarta-feira (19), com cinco nomes indicados pelo governo federal e outros cinco representantes do estado do Rio –a prefeitura não está entre eles.

A iniciativa foi anunciada após pressão de políticos e empresários fluminenses, que defendem a adoção de algum nível de restrições a novos voos no Santos Dumont após a concessão.

Na avaliação das lideranças locais, uma grande ampliação da oferta no terminal poderia colocar em xeque as operações do aeroporto internacional do Galeão, também localizado no Rio.

A possibilidade de aumento nos voos do Santos Dumont foi comemorada pelo governo federal, mas encontrou resistências entre o governo estadual e a prefeitura do Rio. Assim, o embate ganhou forma nos últimos meses.

"É no mínimo um absurdo a cidade do Rio ter os dois aeroportos e não ter sido chamada para opinar", afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação do Rio, Chicão Bulhões, que contesta o edital desenhado até o momento para o Santos Dumont.

"Um aeroporto não é como uma padaria. Um aeroporto é um negócio regulado."

Segundo Bulhões, o município planeja enviar uma notificação formal para ingressar no grupo de trabalho. "O descontentamento é com o governo federal, que é o responsável pela concessão", diz.

O fim das atividades do grupo de trabalho está previsto para 18 de fevereiro. O governo federal tem o objetivo de realizar o leilão do Santos Dumont em 2022, ano marcado pelas eleições presidenciais.

Em nota, o Ministério da Infraestrutura, responsável pelo processo de concessão, disse que o grupo de trabalho está aberto a novos interessados no debate.

"A criação do grupo de trabalho sobre a concessão do aeroporto Santos Dumont é resultado do diálogo do governo federal com entidades da sociedade e poder público do Rio de Janeiro. O GT está aberto a qualquer representante ou entidade que tiver relação com o tema e puder contribuir", diz a pasta.

"A primeira reunião ocorreu nesta quarta-feira, com abertura do ministro Tarcísio Gomes de Freitas. Um calendário de encontros ainda será submetido e aprovado pelos integrantes do grupo", acrescentou.

Conforme portaria publicada no Diário Oficial da União na quarta, a iniciativa poderá admitir –desde que haja concordância entre os membros– o apoio técnico de representantes da academia, instituições privadas, órgãos e entidades da administração pública federal ou estadual, assim como de especialistas em aviação civil e infraestrutura aeroportuária.

Políticos e empresários fluminenses avaliam que o Santos Dumont tem potencial para atrair voos domésticos, mas sofre com limitações geográficas.

O Galeão, por sua vez, foi planejado para receber aeronaves de grande porte e exerce papel relevante na logística de cargas no estado.

Cerca de 20 quilômetros separam os dois terminais. O Santos Dumont fica no centro do Rio, e o Galeão está localizado na Ilha do Governador.

REFLEXOS EM SP

O debate sobre a eventual revisão no edital do Santos Dumont também começa a gerar reflexos em São Paulo.

Sinal disso é que a concessionária GRU Airport, que administra o aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), pediu para participar do grupo de trabalho.

A concessionária, controlada pela Invepar, relatou preocupação com eventuais mudanças no projeto do Santos Dumont e teme uma possível proteção ao Galeão, seu concorrente por voos internacionais.

Guarulhos ainda pode assistir a um aumento da concorrência dentro de São Paulo. É que, assim como o Santos Dumont, o terminal de Congonhas também deve ir a leilão na sétima rodada de concessão de aeroportos do governo federal, prevista para este ano.

Analistas apontam Congonhas e Santos Dumont como as joias da coroa na disputa.

"A concessionária entende que a competição entre os aeroportos, seja no Rio de Janeiro, seja em São Paulo, seja em qualquer outro estado ou região, deve seguir regras de mercado e de livre concorrência", afirmou a GRU Airport na quarta-feira.

"A preocupação reside na adoção de solução que implique a criação de uma restrição no aeroporto Santos Dumont sem correspondente ajuste em Congonhas", acrescentou.

A prefeitura do Rio contesta o interesse de Guarulhos em participar das discussões. A concessionária RIOgaleão, por sua vez, relatou que prefere não se manifestar a respeito do processo da sétima rodada de concessão de aeroportos.

Por: Leonardo Vieceli 

Os preços das passagens aéreas decolaram no Brasil. Em maio, a tarifa média de voos domésticos chegou a R$ 682,60, uma alta de 48,5% ante igual mês do ano passado (R$ 459,79).

O preço mais recente também é o maior em termos reais -com o ajuste pela inflação- desde dezembro de 2012 (R$ 686,76), de acordo com dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Na visão de analistas e representantes do setor de turismo, a inflação do segmento testa neste momento a capacidade de planejamento do brasileiro para as viagens.

Segundo eles, a organização e a procura por passagens com alguma antecedência ainda são as opções mais indicadas para tentar encontrar bilhetes que pesem menos no bolso.

"A passagem mais cara, sem dúvida, impacta as viagens, apesar de o setor de turismo ter apresentado um crescimento muito rápido [após a derrubada de restrições na pandemia]", diz Roberto Nedelciu, presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo).

"Quando o cliente liga e vê os preços das passagens no curto prazo, para o mês seguinte, por exemplo, às vezes fica impossível. Há ocasiões em que ele muda o destino, escolhe um mais próximo. Mas temos insistido para que a viagem seja programada com antecedência", completa.

Segundo Nedelciu, os prazos de planejamento sugeridos são de no mínimo 40 a 60 dias para deslocamentos nacionais e de seis meses para idas ao exterior.

"O principal ponto para economizar é o tempo. Quanto maior a antecedência, mais oportunidades a pessoa tem para monitorar os preços das passagens e fazer a compra", afirma Adriano Severo, analista de investimentos e educador financeiro da Severo Capital.

Outra dica, diz, é comparar os valores em sites que negociam bilhetes e nos endereços das próprias companhias aéreas. "É comum encontrar preços diferentes", relata Severo.
Combustível e demanda pressionam preços de viagens Um dos fatores que levaram as tarifas para cima foi a carestia do querosene de aviação, o QAV, destacam analistas.

Na reta final de dezembro, o preço do litro era de R$ 3,71, conforme dados reunidos pela Anac. Em meados de junho, subiu para R$ 5,63, uma alta de 51,8%. A taxa de câmbio acima de R$ 5 contribui para o avanço do combustível.

"Existe uma pressão de custos sobre as companhias aéreas, sobretudo com a alta do querosene de aviação", aponta o economista Fabio Bentes, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

De acordo com ele, a retomada das atividades turísticas após o tombo na pandemia também ajuda a explicar a alta dos bilhetes nos últimos meses.

Em maio, o número de passageiros pagos em voos domésticos foi de 6,4 milhões, aumento de 75,7% ante igual mês de 2021 (3,6 milhões), sinalizam dados da Anac.

O patamar, contudo, ainda ficou 10% abaixo de maio de 2019 (7,1 milhões), antes da crise sanitária.

Também há sinais de aquecimento nos voos internacionais. Em maio deste ano, o número de passageiros pagos foi de 1,2 milhão, aponta a Anac.

A quantidade é 519,6% maior do que no quinto mês de 2021 (195,5 mil). Porém, ainda está 36,5% abaixo de maio de 2019 (1,9 milhão).

"A gente vê a inflação em vários segmentos. A passagem aérea é afetada. Muita gente deixou de viajar na pandemia, e depois houve um aumento abrupto na demanda", aponta Frederico Levy, vice-presidente de marketing e eventos da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens).

O advogado Renato Raposo, 44, é um dos brasileiros que aguardavam a trégua da Covid-19 para voltar a viajar.

No final do mês, ele embarca para o Sri Lanka. O país, que atravessa crise política, será o 49º da lista de destinos visitados pelo morador do Rio de Janeiro.

Raposo relata que, nos últimos meses, percebeu um "aumento significativo" nas passagens. Para encarar os preços mais altos, buscou planejar a viagem com no mínimo 90 dias de antecedência, o que garantiu valores mais em conta, segundo ele.

"Dificilmente faço uma viagem repentina. Gosto de planejar para ter melhores condições de manobra e opções de voos", diz o advogado.
Inflação vai a 122,4% em 12 meses No Brasil, as passagens aéreas de voos domésticos acumularam inflação de 122,4% em 12 meses até junho, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A alta foi a maior entre os 377 subitens que compõem o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Na fase inicial da pandemia, com a demanda no chão, as passagens chegaram a registrar queda de preços. A deflação (baixa) até janeiro de 2021 foi de 28,86%, por exemplo.

Para Fabio Bentes, da CNC, passados os efeitos da reabertura da economia, os preços das passagens em nível elevado podem frear a retomada do turismo ao longo do segundo semestre. Os juros mais altos também jogam contra o setor, diz.

"Isso pode fazer com que a reação do turismo fique mais lenta no segundo semestre. Medidas como o Auxílio Brasil, por exemplo, não atingem quem consome esse tipo de serviço", avalia.

Em maio, o índice de atividades turísticas calculado pelo IBGE voltou a subir e ficou apenas 0,1% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) no país. O indicador reflete o desempenho de 22 serviços associados ao turismo.

Frederico Levy, da Abav, ainda vê condições de uma aquecida até dezembro. "Tem pessoas deixando os planos mais para frente, porque, no meio do ano, as coisas ficam mais caras com as férias."

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) também sinaliza que a inflação das passagens está associada a questões como a pressão de custos.

Nesse sentido, a entidade cita o aumento do querosene de aviação, que historicamente representa em torno de um terço dos custos das companhias aéreas.

"É importante enfatizar que o preço de uma passagem aérea tem relação direta com os custos das companhias, que por sua vez são impactados por fatores externos, como a cotação do dólar em relação ao real, que indexa mais da metade dos custos do setor, pressionando itens como o combustível dos aviões, manutenção e arrendamento de aeronaves", afirma.

A Abear relata que comprar bilhetes com antecedência de pelo menos dois meses tem sido a recomendação das suas associadas para que os passageiros encontrem "preços competitivos".

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