Por: Joana Cunha

Depois da criação da taxa de poluição para os aviões que passam pelo aeroporto de Guarulhos, o secretário-executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, diz que foi montado um grupo de discussão com prefeitos, secretários e técnicos de outros municípios do estado para estudar a expansão da cobrança para outros terminais.

A reunião aconteceu nesta semana, após a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) marcar o leilão de concessão da 7ª rodada de aeroportos, que inclui o terminal de Congonhas. Para Pinheiro Pedro, ainda é necessário estudar questões como a competência para a cobrança e fazer análises tributárias, mas o assunto precisa ganhar abrangência nacional.

Ele afirma que há uma preocupação nos municípios com as emissões de gases e com o impacto ambiental local provocado pelos terminais aeroportuários, especialmente no de Congonhas, na capital paulista, onde já existem engarrafamentos nas ruas do entorno.

"Não é só decidir privatização e pronto. Tem investimentos, e eles precisam contemplar as compensações ambientais", diz o secretário.

Ele afirma que o debate é um caminho sem volta. "Nós vamos precisar enfrentar essa discussão. Já temos uma frota de helicópteros dessa dimensão em São Paulo e, no futuro, teremos mais uma camada com a perspectiva dos drones e veículos aéreos", afirma.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou nesta segunda (6) as minutas do edital e dos contratos da 7ª rodada de concessão de aeroportos. Serão leiloados em blocos 15 aeroportos nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. A previsão é que o leilão ocorra no dia 18 de agosto, com lance inicial mínimo de R$ 740,1 milhões.

Entre os terminais que serão leiloados está o Aeroporto de Congonhas, que lidera o bloco SP-MS-PA-MG. O bloco inclui ainda os aeroportos de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul; Santarém, Marabá, Parauapebas e Altamira, no Pará; Uberlândia, Uberaba e Montes Claros, em Minas Gerais. O valor estimado para todo o contrato é de R$ 11,6 bilhões. As informações são da Agência Brasil.

Além do Bloco SP-MS-PA-MG, serão leiloados os blocos Aviação Geral, formado pelos aeroportos Campo de Marte, em São Paulo e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A contribuição inicial mínima é de R$ 141,4 milhões. O valor estimado para todo o contrato é de R$ 1,7 bilhão.

Já o bloco Norte II é integrado pelos aeroportos de Belém e Macapá. O lance inicial mínimo é de R$ 56,9 milhões. O valor estimado para todo o contrato é de R$ 1,9 bilhão.

Segundo a Anac, o modelo de concessão terá regulação flexível, compatível e proporcional ao porte de cada aeroporto em relação a tarifa. Além disso, um mesmo proponente poderá arrematar os três blocos.

"O requisito mínimo de habilitação técnica do operador aeroportuário será a comprovação de experiência de processamento, em pelo menos um dos últimos cinco anos, de um milhão de passageiros para o Bloco Norte II e cinco milhões de passageiros para os blocos SP-MS-PA-MG. No caso do Bloco Aviação Geral, o processamento de passageiros deverá ser de no mínimo 200 mil passageiros ou, alternativamente, 17 mil movimentos de aeronaves (pousos e decolagens)", informou a Anac.

Por: Ana Paula Branco

As companhias aéreas no Brasil estão retomando neste ano o número de decolagens, destinos e passageiros do pré-pandemia graças à abertura de fronteiras e à demanda reprimida. Mas com o dólar e o combustível em disparada, as passagens aumentaram além da inflação entre 2019 e 2022, segundo dados de empresas de viagens.

Considerando os valores nominais (ou seja, sem descontar a inflação), as altas observadas são de pelo menos 50% entre janeiro e maio deste ano em comparação com igual período de 2019, antes da pandemia.

Já a inflação acumulada de janeiro de 2019 e abril de 2022 (dado mais recente disponível) é de 25,14%.

Embora a precificação no setor oscile de acordo com a demanda e a sazonalidade, os sucessivos aumentos no preço do QAV (combustível de aviação) são a principal causa da alta, segundo as aéreas. O produto, dizem, é responsável por metade dos custos de um voo.

De 1º de janeiro a 1º de junho, o combustível dos aviões acumula alta de 64,3%. Comparado a 2019, o percentual supera os 90% e ainda não reflete todo o aumento esperado para 2022.

Nesta quinta (2), a Petrobras anunciou mais um reajuste, acima de 11%, em importantes polos, como Guarulhos (SP), Duque de Caxias (RJ) e Betim (MG).

"Está inadministrável", afirma Eduardo Sanovicz, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). Segundo ele, o preço do QAV no Brasil chega a ser 40% superior ao da média global.

Gol, Latam e Azul, as três maiores companhias aéreas que atuam hoje no Brasil, afirmam que, com a escalada contínua do preço dos combustíveis, é inevitável o aumento dos valores das passagens.

Comparando os cinco primeiros meses de 2019 com os de 2022, algumas rotas nacionais têm aumento nominal acima de 70%, como Porto Alegre (74%) e São Paulo (132%), de acordo com levantamento feito pelo Kayak a pedido da Folha.

Entre os dez destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros, Portugal se destaca. O custo médio para ir a Lisboa nos primeiros cinco meses de 2019 estava em R$ 2.750, indica a pesquisa. Neste ano, já chegou a R$ 4.626.

Pesquisa da Decolar para a Folha de S.Paulo também mostra a escalada no período. Viajar até Orlando, na Flórida, um ano antes da pandemia saía, em média, por R$ 2.273. Nos últimos meses, a passagem até a Disney está na casa dos R$ 2.600.

Para Roma, segundo dados analisados nos canais de venda da empresa de viagens, a diferença registrada é ainda maior. O embarque de São Paulo para a capital da Itália passou de R$ 2.522 para R$ 3.386.

As aéreas afirmam que essa alta nos preços das passagens e nos custos de operação retardam o processo de retomada do setor, que caminha próximo a níveis pré-pandemia desde o final de 2021.

A Gol viu sua receita líquida mais do que dobrar entre o último trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano. Nos três primeiros meses de 2022, a empresa transportou quase 7 milhões de passageiros em mais de 48 mil decolagens. Pouco mais de 76% do volume alcançado no mesmo período de 2019.

A Azul encerrou o primeiro trimestre deste ano com receita líquida acima dos níveis pré-pandemia, segundo a empresa após elevação das tarifas para compensar o aumento dos preços dos combustíveis.

Confiante, a empresa se prepara para reforçar a operação de sua malha em julho, com voos extras e 13 novas rotas, entre o Centro-Oeste, o interior de São Paulo e o Sul do país com o Nordeste.

A Latam afirma que recuperou 100% da sua oferta doméstica de assentos no Brasil no mês passado, na comparação com maio de 2019, com uma média de 532 voos por dia para 50 destinos nacionais, seis a mais do que antes da pandemia.

Nas rotas internacionais, a recuperação da companhia chegou a 56% da sua oferta de assentos, com o reestabelecimento de voos para 18 destinos dos 26 anteriores.

Segundo os dados mais recentes da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), nos dois primeiros meses deste ano, foram transportados 24 milhões de passageiros. Número próximo ao mesmo período de 2019, quando 19 milhões circularam pelos aeroportos brasileiros.

Por: Juliana Braga

As companhias aéreas entraram na terça-feira (24) na pressão pela aprovação na Câmara dos Deputados do PLP 18, que cria um teto de 17% no ICMS de bens considerados essenciais.

Ao limitar a tributação de combustíveis, o querosene de aviação (QAV) estaria na lista de produtos cuja tributação não poderia exceder esse teto.

Representantes do setor estiveram na terça com deputados e com o autor da proposta, deputado Elmar Nascimento (União-BA). Há expectativa de esse ponto facilitar a tramitação, diante da possibilidade de redução nos preços das passagens.

A votação foi adiada de terça para esta quarta-feira (25) após governadores entrarem em campo para criar um fundo de compensação às perdas previstas com a limitação da alíquota. Esse fundo seria acionado quando a queda de arrecadação for maior que 5%.

Representantes das aéreas já se encontravam na Câmara dos Deputados porque o Congresso retomou nesta terça a gratuidade do despacho da bagagem, projeto ao qual são contrários.

Eles viram no PLP 18 uma alternativa a uma demanda antiga do setor. A medida é vista como fundamental para a redução do preço das passagens aéreas.

Procurada, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) respondeu que só se manifestaria após a aprovação do projeto. Mas em abril, representantes de setor já haviam se reunido com a equipe econômica e com a cúpula do Congresso para manifestar preocupação com os tributos.

Um levantamento feito pela própria associação publicado em janeiro revela que o querosene de aviação acumulou alta de 76% em 2021, acima dos 56% acumulados pelo diesel, por exemplo.

Por: Daniele Madureira 

O presidente da Gol Linhas Aéreas, Paulo Kakinoff, que comandou a companhia nos últimos dez anos, está de saída. Em 1º de julho, o atual diretor-executivo de operações (COO, na sigla em inglês), Celso Ferrer, assume o comando da aérea.

Kakinoff passará a integrar o conselho de administração da Gol. "É uma satisfação encerrar um ciclo entregando o manche a um executivo que você sabe que é muito mais competente do que você, como é o caso do Celso", disse Kakinoff ao jornal Folha de S.Paulo.

"Ele tem 17 anos de Gol, trabalhamos lado a lado durante os últimos sete anos. Esta é a conclusão do processo de transição que foi desenhado três anos atrás", afirmou.

Segundo Kakinoff, a Gol se dedicou a cumprir uma das etapas mais delicadas da governança corporativa, que é a mudança de comando, com preparação, desenvolvimento e concretização da sucessão.

"Estou muito feliz e bastante orgulhoso dessa trajetória", diz o executivo, 47, que fez carreira na indústria automobilística antes de chegar à Gol. Trabalhou durante 16 anos no grupo Volkswagen, de onde saiu em 2012, como presidente da Audi no Brasil.

Kakinoff segurou o "manche" da Gol no momento mais delicado do setor aéreo no mundo. Durante a pandemia, houve demissão em massa em diversas companhias aéreas, inclusive no Brasil. A opção da Gol foi manter todos os funcionários.

Em entrevista no começo do ano, Kakinoff afirmou que um dos momentos mais duros de 2021 foi reduzir a malha aérea na segunda onda da Covid, depois de todos acreditarem que o pior já tinha passado e que o retorno seria gradual.

"Isso exigiu um nível de sacrifício muito importante de toda a equipe, que passou por tudo muito unida. Adotamos um lema: 'Ninguém desembarca'", disse Kakinoff, à época.

Nenhuma das 14 mil pessoas da equipe foi demitida. Para isso, foi preciso reduzir os salários de todos em até 50%, e os da diretoria, em até 70%, até dezembro de 2021.

Em nota, Constantino Júnior, presidente do conselho de administração da Gol, afirmou que vem acompanhando de perto a transição e que Kakinoff "continuará aportando seu enorme know-how, agora como conselheiro."

No último dia 11, a companhia anunciou a criação de uma holding com a colombiana Avianca, o grupo Abra, que vai controlar quatro companhias áreas de baixo custo na América Latina: Gol, Avianca, Viva (Colômbia) e Sky (Chile).

Novo presidente entrou na Gol como estagiário O novo presidente da Gol, Celso Guimarães Ferrer Junior, 39, entrou há 17 anos na companhia, como estagiário.

Desde 2019, é COO da Gol, responsável pelas áreas de operações, segurança operacional, aeroportos, planejamento, malha, suprimentos e frota.

Antes disso, foi vice-presidente de planejamento por cinco anos, onde acumulou experiência em formação de preços e alianças.

Formado em Economia pela USP (Universidade de São Paulo) e em Relações Internacionais pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Ferrer possui MBA Executivo pelo francês Insead.

"É também um experiente piloto de linha área e compõe o quadro de tripulantes da Gol na frota Boeing 737", informou a aérea, em comunicado.
"Celso Ferrer tem em seu plano de voo a missão de liderar os mais de 14 mil colaboradores da Gol na execução do plano estratégico da companhia, com foco especial nas jornadas de desenvolvimento digital, aceleração do processo de renovação da frota, novos serviços a Clientes, sustentabilidade e expansão da malha", diz o texto.

Por: Thiago Bethônico

A companhia aérea australiana Qantas anunciou nesta segunda-feira (2) planos para operar o voo comercial mais longo do mundo a partir de 2025. A rota Sydney-Londres, de 17.750 quilômetros, será feita sem escalas em aproximadamente 20 horas.

Para conseguir percorrer o trajeto -que hoje demanda pelo menos uma escala em Singapura, Hong Kong, Doha ou Dubai- a companhia encomendou 12 aviões Airbus A350-1000.

As aeronaves serão especialmente configuradas para carregar mais querosene e comportar uma área de bem-estar, permitindo que os passageiros façam as atividades necessárias para suportar uma viagem tão longa.

O anúncio integra o Projeto Sunrise (amanhecer, em inglês), que prevê realizar voos diretos partindo da Austrália para várias cidades do mundo, incluindo Nova York, Rio de Janeiro, Paris, Chicago e Frankfurt.

Segundo a companhia, o lançamento dos primeiros voos comerciais diretos ligando Sydney a Londres e Nova York para 2025 será uma solução para o que chama de "tirania da distância".

Atualmente, o voo mais demorado do mundo liga Nova York a Singapura (15.343 km) em cerca de 18 horas. Já o trajeto mais longo em distância é feito pela Cathay Pacific entre Nova York e Hong Kong –que percorre 16.668 km em 17 horas.

Há alguns anos, a Qantas já havia organizado voos de teste para longas distâncias, mas com quantidade limitada de passageiros. Em 2019, o trajeto Londres-Sydney durou 19 horas e 19 minutos, enquanto o voo de teste Nova York-Sydney (16.200 km) durou pouco mais de 19 horas.

Aposta bilionária

Após a pandemia de Covid-19 atrasar os planos, a companhia aérea australiana finalmente oficializou o pedido das 12 novas aeronaves.

Com isso, a Qantas deve desembolsar mais de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões). De acordo com o catálogo de 2018, último ano em que a Airbus publicou os preços indicativos de seus aviões, o A350-1000 era vendido a US$ 366,5 milhões (R$ 1,8 bilhão). No entanto, a empresa confirmou que conseguiu uma redução significativa no preço da aeronave.

O modelo encomendado é uma versão mais longa e espaçosa do A350-900, e será entregue à Qantas com 238 lugares, 100 a menos do que os normalmente instalados neste modelo.

Os passageiros poderão escolher entre quatro classes (primeira, executiva, econômica premium, econômica), sendo que mais de 40% da cabine é dedicada a assentos premium.

Área para exercício, relaxamento e hidratação

A companhia australiana também prometeu uma classe econômica mais espaçosa e com uma área projetada para movimentar, alongar e hidratar.

Os chamados "espaços de bem-estar" ficarão entre os assentos econômico e econômico premium. De acordo com a companhia, a ideia é que os passageiros possam relaxar, fazer ioga, se hidratar e permitir que o corpo tenha uma melhor circulação sanguínea.

Menos emissões

A Qantas ainda destacou que todas as aeronaves são de última geração e, portanto, garantem uma emissão de CO2 mais baixa.

Atualmente, uma viagem de Sydney a Londres, com escala em Singapura, gera cerca de 6.114 kg de CO2 por passageiro, de acordo com os cálculos da Atmosfair.

"Essas aeronaves e motores mais novos reduzirão as emissões em pelo menos 15% se funcionarem com combustíveis fósseis, e significativamente melhor quando funcionarem com combustível de aviação sustentável [SAF, na sigla em inglês]", afirmou Alan Joyce, CEO da Qantas, em comunicado.

"Este pedido nos aproxima de nosso compromisso de atingir zero emissões líquidas até 2050", acrescentou.

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