Por Francisco Rodriguez, Gerente de Serviços Profissionais da Axis Communications

Milhares de pessoas costumavam se reunir diariamente em aeroportos, porém, esse setor foi um dos mais afetados pela pandemia globalmente. Em 25 de março de 2019 foram registradas mais de 169 mil aeronaves cruzando o céu em todo o mundo. Por sua vez, em 25 de março de 2020 foram pouco mais de 94 mil. Apesar desses dados, 2021 é o ano da reativação desse setor, estima-se que os voos regulares para a América Latina devem ultrapassar os níveis pré-pandêmicos, em comparação com o mesmo período de 2019. Estes números são animadores para a aviação, mas representam também um desafio ao nível da eficiência operacional, uma vez que é cada vez mais importante garantir um bom serviço para prevenir não só os riscos para a segurança, mas também para a saúde.

O valor da tecnologia de vídeo

Embora a recuperação completa ainda não chegue em 2021, sabemos que o ano marcará o crescimento da aviação. A inclusão entre as atividades essenciais colaborou para que os aeroportos não fechassem as portas durante o auge da pandemia, assim como a decisão das autoridades por integrar soluções de vídeo e áudio em rede, somadas aos recursos de análise inteligente, que tornaram o serviço mais eficiente e seguro.

Conseguimos adaptar as soluções de vigilância IP a essas necessidades, agregando novos objetivos: além das imagens para a revisão de terceiros, somamos a possibilidade de detectar situações de risco por meio da recepção de áudio, evitando perdas no rastreamento de pacotes e aumentando a eficiência do serviço, entre diversas outras aplicações. A proposta do sistema de monitoramento eletrônico ainda inclui manter as 7 zonas estratégicas de todo aeroporto sob vigilância:

  1. Entradas e saídas
  2. Passaporte e verificações de segurança
  3. Balcões de check-in
  4. Áreas comerciais e de estacionamento
  5. Perímetros do aeroporto
  6. Carregando áreas
  7. Pistas e áreas de taxiamento

A reativação do setor ainda depende da atração de passageiros, companhias aéreas, varejistas e investidores, para isso, será necessário transformar esta atividade em uma experiência segura e atrativa para todos. Cada um dos grupos que trabalham para tornar um aeroporto seguro, eficiente e rentável tem necessidades específicas e, por isso mesmo, é imprescindível disponibilizar ferramentas com o máximo de aproveitamento e potencializar os resultados combinando-as com o valor agregado das soluções

Como funciona a vigilância por vídeo nos aeroportos?

Os aeroportos são áreas de importante valor para o setor de transportes - tanto de pessoas como de cargas - portanto, é fundamental limitar os riscos através da implementação das mais recentes soluções tecnológicas para assegurar a proteção e eficiência, adicionando inteligência e informações que permitam a análise de dados para fundamentar decisões estratégicas. As soluções representam uma oportunidade de melhoria, pois permitem o monitoramento das áreas internas e externas, minimizam custos e maximizam a eficiência.

Em estações aeroportuárias, as plataformas de vídeo em rede agregam diversos aplicativos que funcionam de maneira multifuncional para melhorar a segurança e as operações de um aeroporto. Este tipo de tecnologia pode reconhecer e identificar alvos mesmo com pouca luz ou escuridão total. As imagens, integradas aos recursos de análise inteligente, oferecem o suporte para um sistema de controle capacitado e pronto para que os principais protocolos de prevenção ou reação estabelecidos pelas forças de segurança sejam colocados em prática.

Nas áreas que exigem maior segurança e atenção, como as de fiscalização por scanner, o uso de videovigilância eletrônica, registra usuários, equipes e até mesmo guardas - evitando atos impróprios, como o abuso de autoridade, roubos, vandalismo e outras atividades que possam violar as garantias individuais dos usuários. Outra vantagem que as soluções oferecem é que, por meio do monitoramento ao vivo, é possível enviar informações aos operadores aeroportuários para agilizar os protocolos de acesso, desde o monitoramento de serviços em solo e bagagem até o monitoramento e fluxo de pessoas.

Uma instalação de segurança eletrônica que inclui não apenas vídeo, mas som e análise inteligente, permite o monitoramento efetivo e com ótimo custo-benefício de áreas internas e externas, como entradas e saídas, com soluções como vídeoporteiro IP. Controles de segurança e passaporte, balcões de check-in, áreas comerciais, estacionamentos, áreas de carga, pistas e zonas de taxiamento também se beneficiam da tecnologia em rede. Os sistemas de vídeo estão abrindo novas fronteiras para múltiplas indústrias, porém, aeroportos são onde a importância de detectar riscos potenciais e maximizar o próprio desempenho se mostram essenciais. Deste modo, o videomonitoramento em rede reflete um passo importante na superação dos desafios enfrentados pelos aeroportos globalmente.

Amanda Lemos (Folhapress)

O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, realizou nesta terça-feira (15) testes de reconhecimento facial no check-in de embarque de dois voos que fazem a ponte aérea com o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Outros dois também foram feitos do Rio para São Paulo.

O projeto Embarque + Seguro, desenvolvido pelo Ministério da Infraestrutura, em parceria com Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), já foi testado em Florianópolis (SC), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro. Em cada uma dessas capitais, o projeto contou com a parceria de uma companhia aérea. No caso da ponte aérea São Paulo-Rio, os voos eram da Azul.

Pela primeira vez no mundo, a tecnologia de biometria foi utilizada em uma ponte aérea de ponta a ponta. Em fase de teste, ela dispensa a apresentação do cartão de embarque e de documentos de identificação do passageiro.

Nesses testes, os passageiros são convidados a participar no momento do check-in e precisam oficializar o consentimento respondendo uma mensagem enviada ao seu celular pela equipe do projeto. O mesmo dispositivo de mensagem libera acesso aos dados do passageiro, incluindo o CPF e a foto. O procedimento busca atender as exigências da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Logo após, o atendente da companhia aérea, com um app desenvolvido pelo Serpro, faz a validação biométrica, comparando os dados e a foto, tirada na hora, com os registros governamentais. A biometria acessa informações do banco de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), além das CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) do Denatran. Ao todo, são 67 milhões de CNHs e 120 milhões de eleitores cadastrados nesses sistemas.

No momento em que a leitura facial é realizada, o passageiro precisa retirar a máscara. "É um procedimento rápido, a leitura é feita em segundos, e o passageiro, claro, deve tirar a máscara pelo elástico e colocá-la logo em seguida", diz, Brenno Sampaio, superintendente de relacionamento com clientes finalísticos do Serpro.

A tecnologia de identificação facial instalada nos totens na área de embarque foi desenvolvida por um pool de empresas que reúne Digicon, Idemia e Azul/Pacer. Segundo Rodrigo Costa, diretor de desenvolvimento de negócios da Idemia, a identificação pela leitura facial vai agilizar o processo de embarque. "A tecnologia realiza um cruzamento de dados simples e seguro", diz o executivo.

Para Luiza Brandão, diretora do Iris (Instituto de Referência em Internet e Sociedade) e mestre em direito, a aplicação da tecnologia requer transparência com o uso de dados do usuário. "Precisamos trabalhar as relações de risco que envolvem a prática, e ter um pensamento crítico em relação a essa ideia de apenas 'facilitar a vida' do passageiro", afirma.

Brandão lembra que não houve uma consulta pública sobre o uso do reconhecimento facial nos aeroportos ou outra alternativa de discussão sobre o tema com a população. "O cidadão tem direito a saber quem trata esse dado, quais dados são, quem manipula, qual é o padrão de segurança", diz. "E não vai ser em um check-in que ele terá todas essas informações".

Na avaliação de Pedro Francisco, pesquisador sênior do Instituto Igarapé, a aplicação de tecnologias que possam melhorar a vida do cidadão é sempre bem-vinda, desde que acompanhadas de transparência.

"É importante que as informações disponíveis no site também sejam fornecidas ao passageiro no momento em que ele esteja prestes a fornecer seus dados biométricos", diz. "Ele precisa ter a garantia de que seus dados só serão utilizados para os fins de embarque e, principalmente, não sejam fornecidos a terceiros para outras finalidades".

Para o pesquisador, um ponto que deixa a desejar no programa Embarque + Seguro é a ausência de um relatório de impacto à proteção de dados pessoais. "Isso deveria ser realizado antes da aplicação do serviço", afirma.

Francisco lembra que não há relatórios do gênero no site do programa. "Em casos como esse, no qual há uso de dados biométricos de um número potencialmente alto de indivíduos, com o cruzamento de bases de dados públicas, é essencial realizar e divulgar relatórios de impacto".