De olho nas novas tecnologias e melhores práticas, a Infraero iniciou a utilização da metodologia BIM em seus processos. O projeto-piloto, denominado de Aeroporto Digital, está sendo implantado no Aeroporto de Londrina (PR), e servirá de modelo para os demais terminais da Rede, além de ser referência para os aeroportos concedidos pelo país.

BIM (do inglês Building Information Modeling), ou Modelagem da Informação da Construção, é um conjunto de tecnologias e processos integrados, que permite a criação, a utilização e a atualização de modelos digitais de uma construção, de modo colaborativo, de forma a servir a todos os participantes do empreendimento durante todo o ciclo de vida do ativo.

Trata-se de um facilitador estratégico para melhor tomada de decisão tanto para edificações, quanto para empreendimentos de infraestrutura. Pode ser aplicado a novos projetos de construção, e fundamentalmente, o BIM pode ser utilizado para reformas e manutenção do ambiente construído - a maior parte do setor público.

Início por Londrina

O projeto piloto Aeroporto Digital consiste num ambiente comum de dados em modelo digital 3D de todo o Aeroporto de Londrina, que incluem dados do sítio aeroportuário e das edificações e que são acessíveis por aplicativos dentro de uma plataforma única de informações. Nela, a representação do mundo real em ambiente 3D que reúne dados sobre todas as instalações do sítio aeroportuário, deverá permitir, futuramente, a integração com dados do próprio município.

O projeto prevê uma economia anual de até R$ 540 mil para o aeroporto através da diminuição dos custos de cadastramento, projeto e manutenção, do aprimoramento da operação aeroportuária, da gestão de informações e do aumento da rentabilidade comercial, além da diminuição de paradas de equipamentos e agilidade em processos fundiários que terão os cálculos efetuados após a conclusão do projeto.

A metodologia vai integrar as várias áreas do Aeroporto de Londrina, contribuindo para uma modelagem de edificações e de infraestrutura com dados únicos e centralizados, em que será possível fazer de forma mais eficiente novos estudos de ampliação aeroportuária, pesquisas de demanda, capacidade e fluxos de passageiros, bem como servir de repositório central de mapas, infraestruturas, edificações, sistemas prediais, dados de gerenciamento de instalações, entre outros.

Para o desenvolvimento do projeto, foram definidas três fases: plano de Gerenciamento do Projeto, modelagem 3D do sítio aeroportuário de Londrina e plataforma de Integração Aeroportuária. No acompanhamento das atividades, há uma equipe técnica especializada composta por profissionais de diversas áreas da Infraero, de várias regiões do Brasil, entre eles arquitetos, engenheiros (civis, eletricistas, eletrônicos, mecânicos, cartógrafos), analistas de sistemas, especialista em navegação aérea, técnicos em edificações e desenhistas.

Quebra de paradigmas e mudanças na cultura organizacional

A adoção da tecnologia BIM também é essencial para a mudança e quebra de paradigmas em um setor intensivo em mão de obra com forte impacto social. No Brasil, a cultura vigente prioriza decisões tomadas durante a obra, em detrimento das análises e simulações feitas nas etapas de planejamento e projeto, o que acarreta no aumento de custos, de retrabalhos e em mais desperdício, fatores que podem levar, inclusive, ao atraso no cronograma estabelecido.

No caso de um projeto BIM, - onde não se criam apenas modelos digitais em 2D e 3D, mas também considera objetos de uso que possuem inteligência, geometria e informação -, as atividades são totalmente integradas, com os profissionais trabalhando de forma colaborativa, acessando e utilizando o projeto de forma que a informação capturada permaneça consistente e coordenada, o que possibilita identificar problemas e corrigi-los preventivamente.

Outros benefícios do BIM são elaboração e gestão de projetos mais precisos, possibilidade de simular as mais diversas etapas dos empreendimentos, a identificação e eliminação de conflitos antes mesmo do início de uma obra, redução dos prazos e custos e maior consistência de dados e informações sobre as iniciativas da empresa, além da preparação para a gestão de ativos. Juntos, todos esses aspectos contribuem para uma maior transparência nas contratações públicas e privadas. Além disso, futuramente estão previstos estudos para aprimoramento de gestão operacional e certificação ambiental dos aeródromos.