Confira a coluna desta segunda-feira (04)

Por Cláudio Magnavita*

O setor do Turismo está apreensivo com as primeiras notícias da gestão do prefeito Eduardo Paes. O contraste de sua gestão anterior com o que está ocorrendo agora é abissal.

Nos oito anos de Paes à frente da Prefeitura, o Turismo foi tratado com prioridade, sob o comando de Antonio Pedro Figueira de Mello. Tinha status de supersecretaria, cuidou da Copa e da Olimpíada de forma exemplar. Teve o melhor programa de sinalização e informação turística.

Os carnavais e réveillons foram aplaudidos de pé. Setur e Riotur funcionavam com velocidade de iniciativa privada e com uma estrutura funcional na Candelária.

Exatamente por ser um setor já comandado pelo próprio Eduardo Paes, ex-secretário estadual de Turismo, e de ter atividade prioritária em seus dois mandatos como prefeito, ninguém entende o que está ocorrendo.

O novo secretário de Turismo, Cristiano Beraldo, assumiu a pasta como um "sem gabinete”. Não tem até agora onde despachar. É o secretário que está correndo atrás de buscar uma solução. O anexo XXV da nova estrutura da Prefeitura o deixa com uma equipe mínima (seis pessoas).

Indicado pelo PSDB, ele foi um dos coordenadores da campanha. O acordo firmado em São Paulo com o governador João Doria (um ex-presidente da Embratur, que sabe da importância do setor) incluiria a Riotur e área de eventos. Nada disso foi cumprido.

O caso da Riotur é até compreensível: como o prefeito poderia dizer não a um pedido, por bilhetinho, de Mariangeles Maia, para nomear a filha Daniella Maia, irmã do cacique do DEM, deputado Rodrigo Maia, para o cargo?

Corda roída pela inusitada situação, a pasta do Turismo deveria ter virado prioridade da equipe de transição. Cristiano Beraldo, um executivo internacional, fluente em vários idiomas, com hotéis na família e totalmente habilitado para o setor, foi empossado - literalmente - em uma secretaria fantasma. É um desdém com o setor que está na UTI, além de, politicamente, uma deselegância com Doria e o PSDB, que garantiram ao candidato um bom tempo de televisão.

A parte de Eventos, inexplicavelmente ligada à pasta de Marcelo Calero, que cuida de Compliance e Gestão, permanece acéfala até agora. O Planetário também ficou debaixo da asa do deputado. O lógico era os dois terem ido para o Turismo.

Sem gabinete, quadro funcional e até sem ter um único subsecretário, o Turismo ficou no limbo deste processo de transição açodado. É um setor fundamental para a economia da cidade e o que mais rápido reage na geração de empregos. A pandemia arrasou a atividade turística, e se esperava do novo governo uma sinalização bem diferente do que vem ocorrendo.

Felizmente, a situação do Turismo no governo do estado é diferente. A pasta ganhou a subsecretaria de Eventos, a gestão do Lagoon para onde deverá levar a sua sede, Setur e TurisRio demonstram harmonia e o governador Cláudio Castro pessoalmente pilota a retomada do setor.

O grande problema é que, pelo histórico de Paes, a expectativa que o Turismo depositou na sua nova gestão foi enorme. Agora, nos primeiros sinais, está virando uma enorme decepção. É muito ruim o setor sentir saudades de um mesmo prefeito.

* Claudio Magnavita é diretor de redação do Jornal de Turismo

Siga-nos