Confira as dicas do executivo de finanças André Aragão para aproveitar a data e realizar uma boa compra

Esperada o ano inteiro por consumidores de diversos países, a Black Friday aquece o mercado varejista no final de ano, quando lojas físicas e virtuais oferecem produtos e serviços de categorias diversas com promoções mais atrativas que nas demais datas comemorativas do ano. Criada inicialmente nos Estados Unidos nos anos 1990, a data que chegava timidamente ao Brasil em 2010 é realizada toda 4ª sexta-feira de novembro e hoje é uma grande aposta para alavancar as vendas no período.

Segundo dados da Ebit Nielsen, empresa que classifica a reputação dos lojistas do e-commerce de acordo com a avaliação dos consumidores, desde quando a novidade chegou ao país as vendas aumentam ano a ano. Só em 2019 o varejo online faturou R$ 3.2 bilhões durante a Black Friday, representando um aumento de 23,6% em relação ao ano anterior.

Mas é preciso ficar atento aos preços durante todo o ano para ter certeza de fechar um bom negócio. O executivo de finanças André Aragão (@aragao.consultoriaempresarial) possui 29 anos de experiência entre nacionais e multinacionais nas áreas de auditoria, consultoria e gestão corporativa e ressalta a importância do consumidor fiscalizar os preços ao longo do ano, além de dar dicas para quem deseja usufruir das promoções durante a Black Friday.

P: O que deve ser avaliado antes de realizar uma compra na Black Friday?

R: Nesse momento de pandemia/pós-pandemia, no qual muitas pessoas perderam sua fonte de renda principal, o cliente deve avaliar se o produto é mesmo essencial, evitar compras por impulso e realizar uma compra consciente.

P: O que deve ser avaliado para realizar uma compra assertiva e fazer um bom negócio?

R: Depois de pesar a necessidade da compra, é interessante que esse consumidor tenha acompanhado o valor do produto durante o ano para identificar se a promoção praticada na Black Friday é realmente vantajosa, pois muitas lojas adentram na Black Friday sem oferecer um diferencial entre as condições que já eram praticadas no restante do ano. Fique atento ao valor dos descontos, às condições de pagamento e à funcionalidade do bem que se almeja adquirir.

P: É vantagem parcelar a compra?

O momento ainda é incerto em relação à economia e deve-se ter cautela antes de se comprometer com parcelas a perder de vista. Essa condição de parcelamento no cartão de crédito só existe no Brasil, e apesar de aumentar o poder de compra, muitas vezes pode ser uma grande vilã, causando endividamento. Quando a loja oferece o parcelamento sem juros, cabe ao consumidor avaliar se o valor da parcela não irá comprometer seu orçamento. Caso seja oferecido desconto no pagamento a vista, essa modalidade torna-se mais interessante.

P: A pandemia de coronavírus alavancou o comércio digital. Ainda com a reabertura do comércio as pessoas manterão o hábito de comprar online?

R: Com o isolamento social, as pessoas migraram para as plataformas de compra e venda online. Acredito que os brasileiros passaram a confiar mais nessas plataformas e associado ao receio de estar onde há aglomeração, a tendência é que as vendas online se mantenham em alta. Mas um dos principais aprendizados que a pandemia deixou é a importância da compra consciente. Hoje não se sabe mais se no mês seguinte o salário está garantido, e assim as pessoas evitam se endividar com a compra de itens que não essenciais.

Com a pandemia de coronavírus, o mercado vem observando um aumento expressivo das vendas online em detrimento das presenciais. O E-commerce Brasil divulgou em agosto que 86% dos brasileiros conectados à internet realizaram compras online desde o início da pandemia.

A empreendedora Tamara Borges, dona da loja de suplementos alimentares Pulse Nutrition (@pulsenutritionbr), aproveita esse crescimento do e-commerce e com a maior preocupação dos consumidores com a saúde, consequentes da pandemia, para alavancar as vendas durante a Black Friday: “Esse ano faremos uma campanha mais estratégica com promoções agressivas em produtos pontuais. Criamos a Tangy Friday, tendo como símbolo uma laranja, que além das cores verde e laranja combinarem com nossa identidade visual, remetem à energia e saúde. Nossa grande promoção é a saúde”, conta.

A marca possui loja física em Ipanema, mas também é forte no e-commerce. Até a terceira semana de outubro a marca obteve 50% de aumento das vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Há sete anos no mercado de consultoria nutricional e suplementação, a administradora de empresas tem superado as adversidades logísticas causadas pela pandemia e a expectativa é de alta de vendas para a Black Friday: “Outubro é o Natal do mercado de suplementos. Em Novembro a gente observa uma leve queda, mas com a Black Friday faremos campanhas com promoções agressivas e é esperado para o mês de novembro um crescimento de 35% em relação à 2019. Além disso, também temos uma boa projeção com nosso programa de revendedoras lançado agora em outubro, que promove uma venda mais humanizada”, complementa.

Ainda de acordo com o relatório da E-commerce Brasil, os setores que mais cresceram com a pandemia foram o de vestuário, móveis e produtos destinados à animais de estimação, registrando aumento de mais de 60% das vendas por setor.

Andressa Gomes, dona da marca de moda praia e moda fitness Surrender Rio (@surrenderrio), aposta no crescimento do setor para aumentar o faturamento na Black Friday: “Vamos apostar esse ano no formato de lives. Planejamos uma campanha agressiva oferecendo produtos com até 70% de desconto e faremos a transmissão ao vivo nas nossas plataformas digitais com a amostragem e informações sobre cada produto”, conta.

Andressa destaca que em 2019 a Surrender Rio aumentou o faturamento em 30% na semana da Black Friday, entre loja física, site e upperbag, modalidade em que os produtos são entregues em uma mala na casa dos clientes. Com formação em Marketing e em Jornalismo, Andressa fez a transição de carreira gradualmente e se tornou empreendedora há sete anos. Hoje mantém seu perfil de vendas em múltiplas plataformas, além do site da loja: “Nós investimos no marketing digital durante a quarentena e o retorno tem sido bastante satisfatório, principalmente no TikTok (euandressagomes). Hoje eu tenho 47 mil seguidores e ajudo outros empreendedores a investir, além de divulgar os produtos, mostrar a forma que é embalado e os bastidores da venda. Acredito que esse perfil mais humanizado de olhar com os olhos do cliente aproxima o público”, ressalta.

Há quem aposte também nas vendas presenciais, como a Isabela Lima, dona do Kaishi’yk Sushibar (@kaishiyksushibar7), no Recreio dos Bandeirantes. O restaurante tem observado o movimento do público durante a pandemia para ser assertivo na retomada dos serviços: ”Logo no início da pandemia, em março e abril, eu tive um crescimento de 30%. Isso ocorreu devido ao investimento em delivery e redes sociais. Com a retomada do comércio percebi uma queda no movimento, mas ainda ficamos fortes no delivery. Aos poucos o movimento foi retornando, pois os clientes ainda prezam pela experiência de comer no local”, conta. Durante a Black Friday, Isabela pretende manter o restaurante aberto, além das vendas do delivery pelo Ifood e Whatsapp: “A Black Friday é sempre uma motivação. Promoção sempre acaba atraindo o público e ajuda a trazer movimento. Vamos oferecer pacotes de rodízio a partir de R$ 69,90 por pessoa para grupos de 15 pessoas e R$ 74,90 a partir de cinco pessoas e a expectativa é um aumento de 10% nas vendas presenciais e no delivery”, acrescenta.

Com menos de um ano de funcionamento, o Kaishi’yk Sushibar, que antes era um quiosque em uma praça de alimentação, tornou-se um restaurante e foi crescendo de acordo com a demanda do público: “No início do ano fizemos a mudança de quiosque para o restaurante. Isso aconteceu porque sentimos que o público queria um espaço maior e principalmente rodízio, já que no quiosque não havia essa possibilidade”, conta

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