O Carnaval fora de época no feriado de Tiradentes, que levou foliões às ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro e aos desfiles no Anhembi e na Sapucaí, não impactou até o momento o volume de internações de pacientes graves de Covid-19 em UTIs.

Somente o Distrito Federal e cinco estados -Alagoas, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina- tinham mais de 30% de suas UTIs com pacientes de Covid na última segunda-feira (2). O quadro é semelhante ao de 11 de abril, com seis estados e o DF nesta situação.

No Rio de Janeiro, as aglomerações provocadas pela folia não parecem ter refletido nas internações.

A ocupação de UTIs públicas no estado permanece baixa, em 17%, inferior à marca de 21% registrada em 11 de abril. Hoje, o número de vagas (741) é quase a metade daquela época (1.378).

Na capital fluminense, a parcela de leitos preenchidos é mais alta e chega a 49%, mas também com a ponderação de que o total de vagas disponíveis atualmente (223) é quase a metade do total de dois meses atrás (469). Os casos de síndrome gripal subiram 13% na última semana na cidade (de 12.163 para 13.698).

Em São Paulo, segundo Secretaria de Estado da Saúde, os números da Covid-19 não apresentam preocupação neste momento, devido à alta cobertura vacinal e ao baixo patamar de internações.

Conforme a pasta, o número de hospitalizados nesta segunda (2) era de 1.295 pacientes, entre suspeitos e confirmados, sendo 448 em UTI. Na mesma data, a taxa de ocupação era de 20% (havia 2.241 leitos para Covid), a mesma observada em 11 de abril (havia 2.660 leitos para Covid).

Também nesta segunda (2) a cidade de São Paulo mantinha 471 leitos para Covid, sendo 175 em operação na UTI e com 30 internados -ocupação em 17%. Em 7 de abril, 31 pacientes ocupavam leitos públicos de UTI Covid-19 no município.

Para a Secretaria Municipal da Saúde, o cenário epidemiológico na capital é considerado estável e com tendência de redução. O órgão explica que os dados de internações são variáveis e dependem do quadro de saúde prévio e da evolução da doença individualmente.

Portanto, o aumento de hospitalizações em alguns dias não significa, necessariamente, alta de casos. Nesta segunda, a unidade com maior ocupação em leitos de terapia intensiva era o Hospital Municipal Brasilândia, na zona norte, com 22%.

Por outro lado, se observadas as médias móveis de novas internações (UTI + enfermaria), o cenário é diferente.

Em 2 de maio, a média móvel de pacientes que necessitaram de internação no estado de São Paulo chegou a 174, 15% maior que a registrada em 11 de abril (151). Se comparada com a do dia 18 do mesmo mês (149), houve variação de 17%. Em relação à de 25 de abril (164), o aumento foi de 6%.

Na capital paulista, a média móvel de pacientes hospitalizados chegou a 75, 10% maior que a registrada em 11 de abril (68). Se comparada com a do dia 18 do mesmo mês (62), houve variação de 21%. Em relação à de 25 de abril (69), a alta foi de 9%.

A expectativa é que os números cresçam mais um pouco, mas não na magnitude do que foi observado nos meses de janeiro e fevereiro durante o pico causado pela ômicron.

"Três fatores corroboram para esse aumento: ausência de políticas de contenção, as festividades do Carnaval e o fato de termos várias sublinhagens da ômicron competindo entre si", explica Wallace Casaca, coordenador da plataforma SP Covid-19 Info Tracker, criada por pesquisadores da USP e da Unesp com apoio da Fapesp para acompanhar a evolução da Covid-19.

"A situação ainda requer cautela, apesar de não ser caótica. Os cuidados sanitários são necessários, principalmente para os grupos de risco e idosos, que voltaram a ser o centro das atenções. É importante que as pessoas elegíveis para a dose de reforço procurem uma unidade e tomem a vacina", completa.

NORDESTE

O Maranhão é um dos estados nordestinos com a menor taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de casos graves de Covid. Caiu de 13%, em 11 de abril, para 5% nesta segunda (2). O governo manteve ativas 60 vagas de leitos nesse intervalo.

A constante queda no número de casos de Covid levou o Governo da Bahia a desativar 146 leitos de UTI, de 11 de abril a 2 de maio. A atual taxa de ocupação é de 17% das 254 vagas disponíveis, ante 15% dos 400 leitos em 11 de abril, segundo a Secretaria da Saúde do Estado.

Já na capital baiana, Salvador, os leitos de UTI públicos para tratamento de casos graves da doença caíram de 175 para 129. Assim como a taxa de ocupação dos leitos para adultos, que passou de 24% para 21%, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

No Ceará, 78 leitos de UTI foram desativados pela Secretaria da Saúde do Estado, o que fez o número de vagas cair de 107 para 29. A taxa de ocupação caiu dez pontos percentuais, de 27%, em 11 de abril, para 17%, nesta segunda (2), das vagas preenchidas.

Por: João Pedro Pitombo

Conhecidas por fazerem festas de rua de grande porte no período carnavalesco, Salvador e Recife decidiram não aderir ao Carnaval fora de época adotado por São Paulo e Rio de Janeiro no feriado de Tiradentes.

As duas capitais nordestinas registraram ruas tranquilas, sem eventos públicos ligados ao Carnaval, e têm os olhos voltados para o São João, principal festa popular da região que acontece em junho.

Em Salvador, onde o Carnaval é conhecido pelos desfiles de blocos de trio, blocos afro e afoxés, a prefeitura decidiu não realizar o Carnaval em abril. Neste feriado, não aconteceram festas nem desfilaram blocos nas ruas da Barra, Campo Grande e Pelourinho, áreas que abrigam os mais tradicionais circuitos carnavalescos de Salvador.

Nestes locais, houve apenas o fluxo normal de moradores e turistas que aproveitaram a quinta-feira nublada de feriado para caminhar na orla ou passear pelas ladeiras do Pelourinho.
A decisão de não realizar o Carnaval em Salvador em abril foi tomada há cerca de um mês pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil). Ele justificou a decisão alegando que não haveria tempo hábil para a organização de um Carnaval de rua.

O Governo do Estado deixou a decisão sobre a realização das festas a cargo dos municípios, mas também não incentivou ou apoiou a realização de festejos com recursos públicos.
Mesmo assim, houve uma movimentação para realização de festas privadas no feriado com artistas da axé music. A maior é o CarnaSal, com programação de três dias e apresentações de artistas como Carlinhos Brown, Saulo, Durval Lelys, Léo Santana e Bell Marques.

Na quinta-feira, a cantora Margareth Menezes comandou o Baile da Maga, no espaço Sollar Baía, na área externa do Museu de Arte Moderna da Bahia, com participação de Daniela Mercury.

Empresários do setor, contudo, criticaram a falta de eventos públicos e afirmam que a capital baiana perdeu uma oportunidade de movimentar ainda mais o turismo na cidade no feriado.

"O poder público poderia ter fomentado eventos em espaços públicos para atrair turistas e movimentar as cadeias do turismo e entretenimento, que foram as mais penalizadas na pandemia. Salvador perdeu uma oportunidade" avalia Nei Ávila, presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos na Bahia.

Em Pernambuco, não houve eventos públicos e privados de Carnaval neste feriado tanto no Recife quanto em Olinda, cidades que são os dois principais polos carnavalescos do estado. Festas particulares alusivas ao Carnaval aconteceram predominantemente na Semana Santa.

A despeito das festas pontuais em abril na Bahia e Pernambuco, os setores de turismo e entretenimento têm os olhos voltados para o São João, evento que promete ser o ponto alto da retomada.

Festas juninas de grande porte, caso de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), vão retomar este ano a programação de um mês com festas diárias e shows de artistas de forró. No Recife, o ciclo junino realizado pela prefeitura vai acontecer entre 10 e 30 de junho depois de um hiato de dois anos sem festejos.

Na Bahia, cidades como Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim devem ter festas públicas e privadas de grande porte, retomando a tradição que ficou suspensa por dois anos.

"Estamos bastante otimistas. Diversos municípios que têm tradição junina estão com a capacidade hoteleira esgotada. Vamos ter um São João muito forte", afirma o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar.

Ele lembra que, ao contrário do Carnaval, a festa acontece em praticamente todos os 417 municípios do estado e têm grande potencial de movimentação da economia local. O governo da Bahia abriu um edital para apoiar prefeituras na organização das festas de Santo Antônio, São João e São Pedro. Também haverá festa em Salvador: o governador Rui Costa (PT) na última semana uma programação de shows em três locais da cidade.

As festas acontecerão entre 23 de junho e 2 de junho no Pelourinho, no bairro de Paripe e no Parque de Exposições da Bahia com apresentações de artistas como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, João Gomes e Wesley Safadão. O governo também vai apoiar o campeonato estadual de quadrilhas juninas, que acontece entre 16 a 19 de junho em Paripe.

Por: Mariana Zylberkan 

O rebaixamento ao Grupo de Acesso pela segunda vez em três anos da escola de samba Vai-Vai, a maior campeã do Carnaval paulistano, é reflexo de problemas financeiros, segundo o presidente, Clarício Gonçalves.

"Nossa previsão era ficar entre as dez primeiras escolas, e não em último lugar", diz. A Colorado do Brás foi a segunda escola rebaixada neste ano.

O presidente conta que há dois anos a Vai-Vai usa quase toda a sua fonte de renda para pagar dívidas herdadas da gestão do ex-presidente Darly Silva, o Neguitão, que deixou o posto em 2019, logo após o primeiro rebaixamento da escola.

Durante o mandato de Neguitão, a agremiação enfrentou investigação por suspeita de desvio de verba pública. De acordo com inquérito civil aberto em 2018 pela Promotoria do Patrimônio Público, a escola de samba não apresentou a prestação de contas referente ao repasse de dinheiro público ao Carnaval daquele ano, no valor de R$ 1,2 milhão. "Essa questão já está superada", diz o presidente.

Na mesma representação do Ministério Público há referência a uma dívida de cerca de R$ 3 milhões que a escola acumulou com diversos fornecedores. Há registros em cartórios de protestos e processos judiciais de execução e de penhora, de acordo com a Promotoria.

O desfile deste ano foi o primeiro da agremiação desde a volta ao Grupo Especial depois do primeiro rebaixamento e dos dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de Covid-19.

Para o atual presidente, mais amargo do que ficar na lanterna do campeonato de 2022 foi a escola ter perdido pontos em quesitos que historicamente só recebe a nota mais alta, como bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente. "Foi uma fatalidade quando ouvimos aquelas notas. Nós perdemos para nós mesmos", diz o presidente. A Vai-Vai acumula 15 títulos no Carnaval.

Considerada uma das melhores baterias de escola de samba de São Paulo, a Pegada de Macaco recebeu três notas 9,9. Em 2019, quando foi rebaixada pela primeira vez, a escola recebeu nota 10 de todos os jurados em matéria e mestre-sala e porta-bandeira.

Os décimos a menos neste ano foram atribuídos a um problema de evolução durante a dispersão da bateria.

Para sair na avenida sem dinheiro em caixa, Gonçalves conta que a Vai-Vai teve ajuda de outras escolas, como Unidos do Peruche, Nenê de Vila Matilde, Independente Tricolor e Mancha Verde, a campeã deste ano. "Nos emprestaram desde bases dos carros alegóricos até tecidos e ferros para as alegorias", diz.

Além disso, os fornecedores do Carnaval aceitaram vender a matéria-prima das fantasias em uma espécie de consignação com o cachê pago pela Liga das Escolas de Samba a todas as agremiações. "O dinheiro nem passava pela escola, ia direto para pagar as contas", diz o presidente.

A escola tem dívidas cobradas na Justiça pelo carnavalesco Roberto Monteiro, um dos autores do enredo de 2019, e por uma advogada que afirma não ter recebido os honorários.

Outro problema apontado foi a mudança da quadra da escola, demolida para dar lugar à futura estação 14 Bis da linha 6-laranja do Metrô.

Um acordo da escola de samba com a concessionária prevê a construção de uma sede social a poucos metros da antiga sede. O barracão funcionou de forma improvisada em terreno na avenida Olavo Fontoura, na zona norte, e em uma tenda no Sambódromo.

Escolas de samba tradicionais e relevantes para a história do Carnaval paulistano, como Camisa Verde e Branco, Pérola Negra, Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche, X-9 Paulistana e Leandro de Itaquera, também têm tido dificuldade para voltar ao Grupo Especial e vão disputar novamente em 2023 nos Grupos de Acesso 1 e 2.

As escolas Estrela do Milênio e Independente Tricolor venceram o Grupo de Acesso e vão integrar a elite do Carnaval de São Paulo em 2023.

Fundada em 1998 no bairro do Grajaú, na zona sul, a Estrela do Milênio tem como escola-madrinha a Rosas de Ouro, e o presidente da Câmara Municipal, o vereador Milton Leite (União Brasil), como patrono.

A Independente Tricolor é apadrinhada pela Império de Casa Verde e foi fundada em 1987 por integrantes da torcida organizada do clube de futebol São Paulo.

Os apaixonados pelo Carnaval terão mais uma oportunidade para aproveitar a folia no Rio e em Salvador. As duas capitais contam com uma agenda movimentada de festas para animar os foliões durante o feriado de Tiradentes.

O Carnaval fora de época ocorre porque as prefeituras das cidades decidiram cancelar a festa prevista para fevereiro em razão da pandemia de Covid-19.

Para os cariocas que querem tirar a fantasia do guarda-roupa, não faltam opções. O tradicional Terreirão do Samba, no centro do Rio, recebe na quarta-feira (20) nomes como Teresa Cristina, Alcione e Belo para dar largada à folia. O espaço também terá programação intensa de shows nos dias 21, 22, 23 e 30 de abril.

Outra festa bastante aguardada é o Casabloco, que acontece entre os dias 21 e 24 de abril, reunindo nomes consagrados, como Elba Ramalho e Sidney Magal.

Salvador também terá uma programação de festas carnavalescas em espaços privados durante o feriado de Tiradentes. A maior festa será o CarnaSal, marcado para os dias entre 21 e 23 de abril com shows de artistas como Carlinhos Brown, Saulo, Durval Lelys, Léo Santana e Bell Marques.

Os artistas se apresentarão no trio elétrico Pranchão na área externa do Wet'n Wild. Os ingressos custam entre R$ 120 e R$ 280. A cantora Margareth Menezes comanda o Baile da Maga no espaço Sollar Baía, que fica na área externa no Museu de Arte Moderna da Bahia. O show terá participação de Daniela Mercury.
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Veja a programação das duas capitais:

RIO DE JANEIRO
21/2 (quinta-feira)
Casabloco
Local: Clube Monte Líbano (Lagoa)
Atrações: Elba Ramalho, Bloco da Terreirada, Mariana Aydar
Preço: meia solidária R$ 50 + taxa
Horário: a partir das 18h
Informações: https://casabloco.com/

Minha Vida é um Bloco
Local: Faro Beach Club - Leblon
Atrações: Chefin, DJ Cereja, DJ Mohamed
Preço: Unissex 3° Lote R$ 80,00 + (Taxa R$ 8,00)
Horário: 12h
Informações: https://www.ingressocerto.com/minhavidafaro

Carnaval Encontros Casuais
Local: Beco do Rato - Lapa
Atrações: DJ Cris Pantoja, Roda de Samba
Preço: R$ 25,00 (+ R$ 2,50 taxa)
Horário: a partir das 18h
Informações: https://www.sympla.com.br/carnaval-encontros-casuais—2104__1550629

Terreirão do Samba
Local: r. Benedito Hipólito, Centro
Atrações: Fundo de Quintal, Clareou, Caju para Baixo
Preço: inteira R$ 20, meia R$ 10
Horário: a partir das 18h
Informações: prefeitura.rio/riotur/terreirao-do-samba-e-reaberto-para-carnaval-2022/

CarnaFaro
Local: Faro Beach Club - av. Niemeyer, 101 - Leblon
Atrações: Péricles, Furacão 2000 & Bloco Areia
Preço: R$ 75,00 + (Taxa R$ 7,50)
Horário: a partir das 17h
Informações: https://www.ingressocerto.com/carnafaroquinta
22/2 (sexta-feira)

Bloco Vai Safadão
Local: Parque Olímpico (Barra da Tijuca)
Atrações: Bell Marques, Wesley Safadão, Ludmilla
Preços: Camarote Premium Meia 4º Lote - R$ 300 + Taxa R$ 30
Arena Open Bar 4º Lote - R$ 260 + Taxa R$ 26
Horário: a partir das 19h
Informações: https://www.ingressocerto.com/bloco-vaisafadao-rj

Casabloco
Local: Clube Monte Líbano (Lagoa)
Atrações: Dona Onete feat. Bangalafumenga, Sidney Magal, Fogo & Paixão, Charanga Talismã
Preços: meia solidária R$ 50 + taxa
Horário: a partir das 18h
Informações: https://casabloco.com/

Terreirão do Samba
Local: r. Benedito Hipólito, Centro
Atrações: Tempero Carioca, Diogo Nogueira, Agita Samba
Preço: inteira R$ 20, meia R$10
Horário: a partir das 18h
Informações: https://prefeitura.rio/riotur/terreirao-do-samba-e-reaberto-para-carnaval-2022/

23/2 (sábado)
Casabloco
Local: Clube Monte Líbano (Lagoa)
Atrações: Johnny Hooker, Baby do Brasil, Cortejo Afro, Agytoê
Preço: meia solidária R$ 50 + taxa
Horário: a partir das 18h
Informações: https://casabloco.com/

Terreirão do Samba
Local: r. Benedito Hipólito, Centro
Atrações: Jorge Aragão, Velha Guarda do Império Serrano, Delcio Luiz
Preço: inteira R$ 20, meia R$ 10
Horário: a partir das 18h
Informações: prefeitura.rio/riotur/terreirao-do-samba-e-reaberto-para-carnaval-2022/

CarnaFaro
Local: Faro Beach Club - Av. Niemeyer, 101 - Leblon
Atrações: Bloco Areia, DJ Cix
Preço: a partir de R$ 200
Horário: começa às 11h59
Informações: https://www.ingressocerto.com/carnafaroopenbar

24/2 (Domingo)
Casabloco
Local: Clube Monte Líbano (Lagoa)
Atrações: Diogo Nogueira, Velha Guarda da Portela, Cacique de Ramos convida Leci Brandão
Preço: meia solidária R$ 50 + taxa
Horário: a partir das 16h
Informações: https://casabloco.com/

SALVADOR
Carnasal
Local: Wet'n Wild
Atrações: Carlinhos Brown, Saulo, Timbalada, Durval Lelys, Léo Santana, Bell Marques, dentre outros
Preços: rntre R$ 120 e R$ 280
Data: 21, 22 e 23 de abril
Horário: 15h
Informações: https://www.instagram.com/carnasaloficial/

Baile da Maga
Local: Sollar Baía / MAM
Atrações: Margareth Menezes e Daniela Mercury
Preço: R$ 90
Data: 21 de abril
Horário: 16h
Informações: https://www.instagram.com/sollarbaia/

Por: José Matheus Santos

O aparecimento do peixe-leão em praias do Nordeste brasileiro tem ligado o alerta de ambientalistas e autoridades da região. Isso porque o animal é considerado uma ameaça tanto para o ecossistema marinho quanto para os seres humanos.

A espécie possui espinhos que contém veneno e podem causar dores, convulsões e até paradas cardíacas –como aconteceu com um pescador na Praia de Bitupitá, em Barroquinha, no Ceará, no dia 18 de abril.

Francisco Mauro da Costa Albuquerque, 24, pisou em um peixe-leão e foi levado a um hospital da região com dores e convulsões provocadas pelo veneno do animal. O pescador chegou a ter duas paradas cardíacas até ser reanimado por médicos.

No Ceará, o Pterois volitans, nome científico do peixe-leão, já foi localizado em Camocim, Acaraú, Cruz e no município de Jijoca de Jericoacoara, uma das praias mais conhecidas do país. No Piauí, em Cajueiro da Praia, próximo à divisa com o Ceará.

"Até agora, foram encontrados 30 indivíduos [no estado], mas à medida que os anos forem passando, a quantidade pode aumentar, se não houver um controle ambiental por parte das autoridades", diz o professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

No arquipélago pernambucano de Fernando de Noronha, a captura mais recente aconteceu no dia 22 de abril. Já foram capturados 49 peixes-leões e outros 23 foram vistos. Há ainda outros três casos suspeitos investigados.

O animal tem sido encontrado em até de oito metros de profundidade no Brasil.

Uma das preocupações de pesquisadores é com a possibilidade do peixe-leão se alastrar rapidamente pelo litoral, já que a fêmea reproduz a cada quatro dias.

"Não há dúvidas que o peixe leão está em fase de expansão no litoral nordestino.

Possivelmente, estruturas artificiais como barcos naufragados e marambaias [estruturas que os pescadores colocam no fundo do mar para agregar lagostas e peixes, facilitando a pesca] estejam sendo utilizados pelos peixes-leão como trampolins", afirma o biólogo Cláudio Sampaio, professor da UFAL (Universidade Federal de Alagoas).

O peixe-leão também pode causar desequilíbrio ecológico entre os bichos marinhos, já que é predador de outros animais.

"Como os peixes nativos do Brasil não conhecem o peixe-leão, nunca tiveram qualquer contato com essa espécie que é uma predadora eficiente, são facilmente comidos em grande número, causando impactos negativos nos recifes e consequentemente prejuízos na pesca", acrescenta Sampaio.

Além dos impactos biológicos, a pesca também sofre consequências –e caso o animal se alastre, há o temor que isso afete o turismo.

O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em Fernando de Noronha acredita que a população do peixe-leão vai aumentar no local em um futuro próximo e pode pôr em risco a fauna marinha local, de acordo com um relatório do órgão.

"Noronha é um ambiente insular especial, mas pode se tornar pobre em vida marinha e perder seus atrativos e valores turísticos com a chegada do peixe-leão", acrescenta o instituto.

A origem do peixe-leão é no Oceano Indo-Pacífico, mas a espécie está presente também nas águas do Caribe, no Atlântico Norte. Não há confirmação de como o animal veio parar nas águas do Atlântico Sul. Uma das hipóteses discutidas é que tenha sido trazido por correntes marinhas.

Pesquisadores reafirmam a necessidade de uma política pública em larga escala, incluindo capacitação de pescadores e mergulhadores. "O tempo é algo precioso, nesses casos de bioinvasão, para a tomada de medidas mais eficientes de manejo, fundamentadas nas melhores informações. Atualmente a velocidade da invasão é alta, fazendo com a implementação de manejo seja urgente", afirma Sampaio.

Beneficiado por atividades frequentes de mergulho, Fernando de Noronha monitora o cenário em parceria com empresas do arquipélago e capacitações para captura e repasse de informações do peixe-leão.

No arquipélago, o ICMBio faz imersões mensais em áreas onde não é permitido mergulho ou são pouco visitadas e também em localidades onde houve avistamento de peixes, sem a sua captura.

Em Jericoacoara, as buscas irão se intensificar quando a visibilidade da água melhorar, o que deve acontecer nas próximas semanas.

"Estamos esperando dar uma trégua na água doce para fazer mais buscas. Mas tudo indica que, nas áreas de muitas pedras, deve ter muitos peixes leões", diz Chico Bento, secretário de Aquicultura e Pesca de Jijoca de Jericoacoara.

A orientação dos especialistas é que, independentemente de localidade, o banhista ou pescador que se deparar com a espécie do peixe-leão mantenha distância e avise os órgãos competentes.

Por: Joana Cunha

O resgate de milhas de passagens aéreas nacionais deu um salto na Páscoa, segundo a empresa de milhagem Smiles. O crescimento foi de 226% na comparação com a data de 2021, quando o Brasil ainda registrava picos de casos de Covid e restrições a viagens.

As regiões de preferência foram Sudeste e Nordeste. São Paulo foi o destino com mais resgates, seguido de Rio de Janeiro e Brasília.

No feriado, os brasileiros também intensificaram a busca por voos para fora do país.

A procura por passagens para destinos internacionais respondeu por 33% do total. O maior interesse foi por Buenos Aires, além de Cancún, Miami e Orlando.