Grupo de risco deve evitar eventos, ainda que adaptados à pandemia, diz médica

Por Ana Luiza Tieghi

Ainda com capacidade reduzida, resorts que promovem celebrações para o Ano-Novo estão com as vagas quase esgotadas. A alta procura surpreendeu empresários da área.

Flávio Monteiro, diretor de operações da Aviva, empresa que administra os hotéis do complexo Costa do Sauípe (BA), e Rio Quente (GO), afirma que, se não houvesse a restrição de 70% na ocupação, já teria vendido todos os quartos de seus hotéis.

A celebração terá um tom mais de agradecimento do que de euforia, afirma Monteiro. O Costa do Sauípe, que no ano passado teve show de Ivete Sangalo, terá atrações menores. Em ambos, a ceia será ao ar livre, com mesas espaçadas, e os convidados deverão usar máscaras.

Com 65 quartos em operação, metade do que tinha antes da pandemia, o resort Infinity Blue, de Balneário Camboriú (SC), só tem cinco deles disponíveis para o Réveillon. "Esperamos para fazer a divulgação do Ano-Novo, devido a toda a incerteza, mas os pacotes já foram quase todos vendidos", diz Juliana Campeoto, gerente-geral do hotel.

O local vai receber até 200 pessoas para a festa de Ano-Novo, que terá música ao vivo e ao ar livre, mas sem pista de dança. A ceia será servida nas mesas de cada família, à la carte, e máscaras serão obrigatórias.

Para Ana Biselli, diretora-executiva da Resorts Brasil (associação do setor), a alta procura por esse tipo de viagem se deve a fatores como o fechamento de fronteiras no exterior e o dólar alto. Ao mesmo tempo, os resorts ainda operam com capacidade reduzida, o que diminui a disponibilidade de vagas.

Há também uma vontade de viajar represada ao longo ano, o que eleva a busca por destinos com natureza, áreas abertas e espaços de lazer –caso dos resorts.

A hotelaria, que ainda sofre com a falta de eventos, vê no Ano-Novo uma chance de retomada. "Se conseguirmos viabilizar o Réveillon de forma segura, é uma boa sinalização para que outros eventos ocorram", afirma Biselli.

Mirian Dal Ben, médica infectologista do hospital Sírio-Libanês, diz que é possível oferecer um serviço menos arriscado na virada ,"mas risco zero é ficar em isolamento".

Ter festas em espaços abertos, com máscaras, distanciamento e sem compartilhamento de objetos ajuda a minimizar as chances de contaminação. Pessoas dos grupos de risco, porém, ficarão mais seguras em casa na passagem de ano. "Nesse caso, eu deixaria para comemorar o Réveillon de 2022."

Nas últimas semanas, houve uma alta na ocorrência da doença em hospitais particulares de São Paulo, o que era esperado com a queda do isolamento e o aumento da testagem. Mas ainda é cedo para saber se medidas restritivas precisarão ser adotadas novamente no país, assim como ocorre agora na Europa, o que poderia azedar os planos para o Réveillon.

Festas que reúnem milhares de pessoas no litoral do Nordeste já estão planejadas para este ano –e com alta procura.

No Rio Grande de Norte, a Let's Pipa, na praia de mesmo nome, e o Réveillon do Gostoso, em São Miguel do Gostoso, começaram a vender ingressos em setembro.

Os pacotes com todas as seis festas em Pipa estão no quarto lote, enquanto os ingressos válidos para as cinco noites de evento em Gostoso estão esgotados.

As duas comemorações ainda aguardam alvarás de autorização, mas o governo potiguar permitirá, a partir da próxima terça (17), eventos com até 3.000 pessoas em ambientes abertos, mediante o cumprimento de protocolos.

As festas terão público menor do que em anos anteriores. A Let's Pipa, que já reuniu 4.500 pessoas em uma noite, pretende levar cerca de 2.000 neste ano, mesma quantidade do Réveillon do Gostoso, que reunia 3.900 convidados.

As organizações apostam em mais espaço para os frequentadores: ambas terão área maior do que no ano passado, mesmo com o público menor. "Normalmente, temos três pessoas por metro quadrado, mas neste ano queremos ter três metros quadrados por pessoa", afirma Rafael Gonçalves, da Let's Pipa.

"Em uma área em que cabem 8.000 pessoas, teremos cerca de 2.000, justamente para ficar confortável para todos", diz Eduardo Aga, que organiza o Réveillon do Gostoso.

Festas desse tipo, sem demarcação de espaço, são mais arriscadas, afirma Dal Ben.

"Não adianta ter menos pessoas no evento se você não pode garantir que elas ficarão distantes umas das outras."

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