Por: José Matheus Santos e Marcelo Toledo

O número de mortos pelas chuvas em Pernambuco chegou a 91, de acordo com balanço divulgado na manhã desta segunda-feira (30) pela Secretaria de Defesa Social do estado. Ao todo, são 26 desaparecidos no estado. Devido à tragédia, a prefeitura de Recife anunciou o cancelamento das festividades juninas.

O número de desabrigados subiu para cerca de 5.000. Diversas campanhas de doação foram abertas para ajudar famílias atingidas.

As buscas na região metropolitana da capital foram retomadas na manhã dessa desta segunda. Defesa Civil, Exército e órgãos municipais atuam em sete pontos de deslizamento. São eles: Zumbi do Pacheco e Curado IV (Jaboatão dos Guararapes); Areeiro (Camaragibe); Monte Verde/Ibura, Barro e Guabiraba (Recife) e Paratibe (Paulista). Cerca de 300 profissionais participam das buscas.

O governo estadual decretou situação de emergência em Pernambuco. Nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro (PL) sobrevoou áreas atingidas acompanhado de ministros e disse que não ter sido procurado pelo governo do estado para tratar dos estragos causados pelas chuvas.

Nesta segunda, o prefeito João Campos (PSB) anunciou, ao visitar a creche Miguel Arraes, onde a prefeitura está recebendo donativos para ajudar as famílias, que decidiu suspender as comemorações juninas no Recife, como as festas de São João e São Pedro.

"Com isso, nós vamos incrementar em R$ 15 milhões as ações direcionadas para as famílias atingidas", disse o prefeito.

Há 3.500 moradores em abrigos da prefeitura na capital nesta segunda, de acordo com Campos.

No Recife, as aulas presenciais para os mais de 95 mil estudantes foram suspensas nesta segunda-feira.

Segundo a gestão municipal, estudantes terão acesso a aulas remotas por meio da plataforma Educa Recife. Dos 41 abrigos ofertados pela prefeitura, 25 são escolas, creches e centros sociais.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve no Recife nesta segunda-feira para "melhor se inteirar" da tragédia. Segundo ele, o governo federal disponibilizou desde o início todos os meios para socorrer as famílias atingidas.

No sábado, Câmara nomeou 92 concursados do Corpo de Bombeiros para começarem atuação neste domingo a fim de acelerar as buscas.

Bombeiros enviados pelo Governo da Paraíba e profissionais especializados no atendimento a casos de deslizamentos de Minas Gerais também reforçam as forças operacionais. Uma equipe da Defesa Civil do Rio de Janeiro está no Recife para reforçar o atendimento.

De acordo com informações da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), apesar da redução no volume, as chuvas devem continuar, com intensidade moderada, até a próxima sexta-feira (03), na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata.

Os maiores acumulados nas últimas 24 horas foram registrados nos municípios de Olinda (60 mm), Paulista (57 mm), Itapissuma (53 mm) e Recife (52 mm). A Defesa Civil reforçou, esta manhã, o alerta sobre o alto risco de deslizamentos, uma vez que o solo está bastante encharcado.

A situação dos rios, porém, permanece estável. O nível de acúmulo nos pontos monitorados, sobre os quais foram emitidos avisos de alerta ou inundação, já desceram ou estabilizaram, não havendo mais necessidade de aviso hidrológico.

Até o momento, segundo o governo, não há risco que motive a abertura de comportas nas barragens nas imediações do Rio Capibaribe. Caso haja necessidade, a Defesa Civil informou que avisará a população com antecedência.

Só entre as 23h de sexta e as 11h deste sábado foram registradas chuvas que chegaram a 236 milímetros em alguns pontos da capital pernambucana, de acordo com a Defesa Civil.

Isso equivale a mais de 70% do previsto para todo o mês de maio na cidade, que é de 328,9 milímetros.​

O Carnaval fora de época no feriado de Tiradentes, que levou foliões às ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro e aos desfiles no Anhembi e na Sapucaí, não impactou até o momento o volume de internações de pacientes graves de Covid-19 em UTIs.

Somente o Distrito Federal e cinco estados -Alagoas, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina- tinham mais de 30% de suas UTIs com pacientes de Covid na última segunda-feira (2). O quadro é semelhante ao de 11 de abril, com seis estados e o DF nesta situação.

No Rio de Janeiro, as aglomerações provocadas pela folia não parecem ter refletido nas internações.

A ocupação de UTIs públicas no estado permanece baixa, em 17%, inferior à marca de 21% registrada em 11 de abril. Hoje, o número de vagas (741) é quase a metade daquela época (1.378).

Na capital fluminense, a parcela de leitos preenchidos é mais alta e chega a 49%, mas também com a ponderação de que o total de vagas disponíveis atualmente (223) é quase a metade do total de dois meses atrás (469). Os casos de síndrome gripal subiram 13% na última semana na cidade (de 12.163 para 13.698).

Em São Paulo, segundo Secretaria de Estado da Saúde, os números da Covid-19 não apresentam preocupação neste momento, devido à alta cobertura vacinal e ao baixo patamar de internações.

Conforme a pasta, o número de hospitalizados nesta segunda (2) era de 1.295 pacientes, entre suspeitos e confirmados, sendo 448 em UTI. Na mesma data, a taxa de ocupação era de 20% (havia 2.241 leitos para Covid), a mesma observada em 11 de abril (havia 2.660 leitos para Covid).

Também nesta segunda (2) a cidade de São Paulo mantinha 471 leitos para Covid, sendo 175 em operação na UTI e com 30 internados -ocupação em 17%. Em 7 de abril, 31 pacientes ocupavam leitos públicos de UTI Covid-19 no município.

Para a Secretaria Municipal da Saúde, o cenário epidemiológico na capital é considerado estável e com tendência de redução. O órgão explica que os dados de internações são variáveis e dependem do quadro de saúde prévio e da evolução da doença individualmente.

Portanto, o aumento de hospitalizações em alguns dias não significa, necessariamente, alta de casos. Nesta segunda, a unidade com maior ocupação em leitos de terapia intensiva era o Hospital Municipal Brasilândia, na zona norte, com 22%.

Por outro lado, se observadas as médias móveis de novas internações (UTI + enfermaria), o cenário é diferente.

Em 2 de maio, a média móvel de pacientes que necessitaram de internação no estado de São Paulo chegou a 174, 15% maior que a registrada em 11 de abril (151). Se comparada com a do dia 18 do mesmo mês (149), houve variação de 17%. Em relação à de 25 de abril (164), o aumento foi de 6%.

Na capital paulista, a média móvel de pacientes hospitalizados chegou a 75, 10% maior que a registrada em 11 de abril (68). Se comparada com a do dia 18 do mesmo mês (62), houve variação de 21%. Em relação à de 25 de abril (69), a alta foi de 9%.

A expectativa é que os números cresçam mais um pouco, mas não na magnitude do que foi observado nos meses de janeiro e fevereiro durante o pico causado pela ômicron.

"Três fatores corroboram para esse aumento: ausência de políticas de contenção, as festividades do Carnaval e o fato de termos várias sublinhagens da ômicron competindo entre si", explica Wallace Casaca, coordenador da plataforma SP Covid-19 Info Tracker, criada por pesquisadores da USP e da Unesp com apoio da Fapesp para acompanhar a evolução da Covid-19.

"A situação ainda requer cautela, apesar de não ser caótica. Os cuidados sanitários são necessários, principalmente para os grupos de risco e idosos, que voltaram a ser o centro das atenções. É importante que as pessoas elegíveis para a dose de reforço procurem uma unidade e tomem a vacina", completa.

NORDESTE

O Maranhão é um dos estados nordestinos com a menor taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de casos graves de Covid. Caiu de 13%, em 11 de abril, para 5% nesta segunda (2). O governo manteve ativas 60 vagas de leitos nesse intervalo.

A constante queda no número de casos de Covid levou o Governo da Bahia a desativar 146 leitos de UTI, de 11 de abril a 2 de maio. A atual taxa de ocupação é de 17% das 254 vagas disponíveis, ante 15% dos 400 leitos em 11 de abril, segundo a Secretaria da Saúde do Estado.

Já na capital baiana, Salvador, os leitos de UTI públicos para tratamento de casos graves da doença caíram de 175 para 129. Assim como a taxa de ocupação dos leitos para adultos, que passou de 24% para 21%, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

No Ceará, 78 leitos de UTI foram desativados pela Secretaria da Saúde do Estado, o que fez o número de vagas cair de 107 para 29. A taxa de ocupação caiu dez pontos percentuais, de 27%, em 11 de abril, para 17%, nesta segunda (2), das vagas preenchidas.

Por: Mauren Luc

A Prefeitura de Curitiba passou a recomendar desde a última sexta-feira (20) o uso de máscara em espaços fechados ou em aglomerações. O aviso foi dado após uma nova onda de casos de Covid-19 na cidade e a um aumento no atendimento de adultos e crianças com doenças respiratórias.

A medida não tem caráter obrigatório –em 29 de março, a gestão municipal flexibilizou o uso do equipamento, que passou a ser opcional em quase todos os casos, inclusive em ambientes fechados.

Atualmente, seu uso só é obrigatório em ambientes de saúde (como hospitais, postos e consultórios) e para quem está com sintomas de Covid. Essa regra segue em vigor.

A nova recomendação sanitária da prefeitura faz parte de um protocolo de responsabilidade sanitária e social para doenças de transmissão respiratória. A medida, anunciada na sexta, foi tomada após pressão no sistema de público de saúde.

Com isso, a prefeitura voltou a solicitar que a população use máscaras no transporte coletivo, terminais, estações, shows, jogos, shoppings, lojas e supermercados.

A alta nos casos está ligada à sublinhagem BA.2 da variante ômicron, que apresenta mais chances de transmissão, mas menor gravidade.
Nas últimas duas semanas, a cidade registrou aumento de 171% na média móvel de novos casos, com 1.466 confirmações.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a média móvel de casos ativos em Curitiba teve 289% de aumento no mesmo período, com 10.356 pessoas infectadas.

O Sinepe/PR (Sindicato das Escolas Particulares do Paraná) informou que segue as recomendações dos órgãos públicos para prevenção da doença, no entanto, "deixará a critério das instituições associadas a decisão por manter ou não a obrigatoriedade do uso de máscaras".

Segundo o órgão, ainda não há levantamento que indique o impacto da Covid, nos últimos meses, nas escolas da rede privada de ensino.

Por: Mariana Zylberkan 

O rebaixamento ao Grupo de Acesso pela segunda vez em três anos da escola de samba Vai-Vai, a maior campeã do Carnaval paulistano, é reflexo de problemas financeiros, segundo o presidente, Clarício Gonçalves.

"Nossa previsão era ficar entre as dez primeiras escolas, e não em último lugar", diz. A Colorado do Brás foi a segunda escola rebaixada neste ano.

O presidente conta que há dois anos a Vai-Vai usa quase toda a sua fonte de renda para pagar dívidas herdadas da gestão do ex-presidente Darly Silva, o Neguitão, que deixou o posto em 2019, logo após o primeiro rebaixamento da escola.

Durante o mandato de Neguitão, a agremiação enfrentou investigação por suspeita de desvio de verba pública. De acordo com inquérito civil aberto em 2018 pela Promotoria do Patrimônio Público, a escola de samba não apresentou a prestação de contas referente ao repasse de dinheiro público ao Carnaval daquele ano, no valor de R$ 1,2 milhão. "Essa questão já está superada", diz o presidente.

Na mesma representação do Ministério Público há referência a uma dívida de cerca de R$ 3 milhões que a escola acumulou com diversos fornecedores. Há registros em cartórios de protestos e processos judiciais de execução e de penhora, de acordo com a Promotoria.

O desfile deste ano foi o primeiro da agremiação desde a volta ao Grupo Especial depois do primeiro rebaixamento e dos dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de Covid-19.

Para o atual presidente, mais amargo do que ficar na lanterna do campeonato de 2022 foi a escola ter perdido pontos em quesitos que historicamente só recebe a nota mais alta, como bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente. "Foi uma fatalidade quando ouvimos aquelas notas. Nós perdemos para nós mesmos", diz o presidente. A Vai-Vai acumula 15 títulos no Carnaval.

Considerada uma das melhores baterias de escola de samba de São Paulo, a Pegada de Macaco recebeu três notas 9,9. Em 2019, quando foi rebaixada pela primeira vez, a escola recebeu nota 10 de todos os jurados em matéria e mestre-sala e porta-bandeira.

Os décimos a menos neste ano foram atribuídos a um problema de evolução durante a dispersão da bateria.

Para sair na avenida sem dinheiro em caixa, Gonçalves conta que a Vai-Vai teve ajuda de outras escolas, como Unidos do Peruche, Nenê de Vila Matilde, Independente Tricolor e Mancha Verde, a campeã deste ano. "Nos emprestaram desde bases dos carros alegóricos até tecidos e ferros para as alegorias", diz.

Além disso, os fornecedores do Carnaval aceitaram vender a matéria-prima das fantasias em uma espécie de consignação com o cachê pago pela Liga das Escolas de Samba a todas as agremiações. "O dinheiro nem passava pela escola, ia direto para pagar as contas", diz o presidente.

A escola tem dívidas cobradas na Justiça pelo carnavalesco Roberto Monteiro, um dos autores do enredo de 2019, e por uma advogada que afirma não ter recebido os honorários.

Outro problema apontado foi a mudança da quadra da escola, demolida para dar lugar à futura estação 14 Bis da linha 6-laranja do Metrô.

Um acordo da escola de samba com a concessionária prevê a construção de uma sede social a poucos metros da antiga sede. O barracão funcionou de forma improvisada em terreno na avenida Olavo Fontoura, na zona norte, e em uma tenda no Sambódromo.

Escolas de samba tradicionais e relevantes para a história do Carnaval paulistano, como Camisa Verde e Branco, Pérola Negra, Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche, X-9 Paulistana e Leandro de Itaquera, também têm tido dificuldade para voltar ao Grupo Especial e vão disputar novamente em 2023 nos Grupos de Acesso 1 e 2.

As escolas Estrela do Milênio e Independente Tricolor venceram o Grupo de Acesso e vão integrar a elite do Carnaval de São Paulo em 2023.

Fundada em 1998 no bairro do Grajaú, na zona sul, a Estrela do Milênio tem como escola-madrinha a Rosas de Ouro, e o presidente da Câmara Municipal, o vereador Milton Leite (União Brasil), como patrono.

A Independente Tricolor é apadrinhada pela Império de Casa Verde e foi fundada em 1987 por integrantes da torcida organizada do clube de futebol São Paulo.

Desde julho de 2021 os brasileiros não sentiam tanto frio. A semana mais gelada de 2022 bateu recorde nesta terça-feira (17) e fez as capitais anteciparem campanhas do agasalho e reforçarem a abordagem a pessoas em situação de rua.

Para aos próximos dias, a previsão é de que o ciclone subtropical que atinge o sul chegue ao Sudeste e ao Centro-Oeste do país, onde as temperaturas vão cair ainda mais.

Em Santa Catarina, a neve movimentou o turismo e trouxe sensação térmica de -16° C, em Urupema.

No Rio Grande do Sul, aulas foram canceladas pela chegada da tempestade Yakecan, com ventos de até 80 km/h, que levaram um barco a colidir com pedras e afundar, no Lago Guaíba, em Porto Alegre. Um dos três homens a bordo morreu.

Segundo o Inmet, nevou nas cidades gaúchas de São José dos Ausentes e Cambará do Sul.
No Rio de Janeiro, um temporal assustou moradores e uma chuva de granizo castigou a zona norte. A cidade está em estágio de mobilização, com risco de novas tempestades.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), nesta quarta-feira (18), além da serra catarinense, Guarapuava (PR) e Monte Verde (MG) podem chegar a -1° C.

"Não descartamos possibilidade de geada em Brasília, na quinta", diz o meteorologista do Inmet, Franco Villela. O órgão apontou que a sensação térmica em São Paulo também pode ser negativa nesta quarta -a mínima deve ser de 6º C na cidade.

Ele explica que as baixas temperaturas foram provocadas por uma sucessão de ciclones vindos do oceano, associados ao ar frio do sul, entre a costa da Argentina e a do Brasil. As baixas temperaturas devem chegar a cidades normalmente quentes, como Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). Entre elas, Cuiabá (MT) será a mais fria: 7° C na quinta-feira.

A Prefeitura de Porto Alegre adiantou parte dos esforços que estavam previstos para a chamada Operação Inverno, que começaria oficialmente em 4 de junho.

Desde segunda-feira (16), 12 equipes percorrerão as ruas até as 22h fazendo "busca ativa", em que pessoas em situação de rua são abordadas e, se assim desejarem, transportadas para albergues, abrigos e pousadas conveniadas à Secretaria de Desenvolvimento Social.

Conforme o secretário titular da pasta, Léo Voigt, Porto Alegre enfrentará o inverno de 2022 com a capacidade de acolhimento na rede municipal ampliada em 60% graças à cobertura vacinal contra a Covid-19, que possibilitou o retorno do distanciamento normal entre as camas em albergues e abrigos.

No Rio de Janeiro, cujos termômetros devem marcar mínima de 17° C na semana, segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), a prefeitura já montou um esquema especial para ajudar pessoas em situação de rua.

A Secretaria de Assistência Social antecipou em um mês a campanha do agasalho para receber a partir desta terça (17) doações em três centros municipais espalhados pela cidade.

A ideia é disponibilizar nesses espaços alimentação, água e itens para combater o frio, como roupas, calçados e cobertores.

Além disso, as três unidades funcionarão 24 horas por dia para atender pessoas em situação de rua e encaminhá-las aos abrigos da prefeitura. Atualmente, há 2.600 vagas disponíveis e a previsão é de que sejam criadas mais 166.

Curitiba registrou 91 atendimentos a pessoas em situação de rua somente no domingo (15) e na madrugada desta segunda-feira (16). Com o frio intenso, a prefeitura reforçou as ações de abordagem nas ruas e acolhimento em abrigos, nos quais é possível tomar banho, alimentar-se e dormir. Aqueles que não aceitam o encaminhamento recebem agasalhos e cobertores.

Há também a ajuda de voluntários e ONGs que desenvolvem ações pontuais, como distribuição de comida, roupas e bebidas quentes. É o que fará o grupo Itinerante Resistência.

"Tudo vem de doação e todos são voluntários. Na praça Tiradentes entregamos marmita no jantar e nas principais ruas e avenidas, onde eles estão, entregamos café, sanduíches e bolos", conta a fundadora do grupo, Tatiane Dorte.

Em Belo Horizonte, a previsão de chegada de onda de frio fez com que a prefeitura adotasse um plano de contingência para atendimento à população de rua da capital.

A estratégia prevê a intensificação da atuação de equipes do serviço especializado de abordagem social que atuam nas nove regionais da capital.

As equipes farão abordagens a moradores de rua principalmente à noite, com orientações para o período, encaminhamento para unidades de acolhimento e entrega de cobertores.

Nas unidades de acolhimento foi criado sistema de monitoramento de ocupação das vagas, havendo a possibilidade de ampliação do atendimento.

O município tem 600 vagas diárias de acolhimento na modalidade casa de passagem com alimentação, higienização, guarda de pertences e pernoite.

Na área da saúde, o protocolo atual é o transporte para as UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) de moradores de rua encontrados pelas equipes do serviço social com hipotermia.

O transporte será feito via unidades do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).

Por: José Matheus Santos

O aparecimento do peixe-leão em praias do Nordeste brasileiro tem ligado o alerta de ambientalistas e autoridades da região. Isso porque o animal é considerado uma ameaça tanto para o ecossistema marinho quanto para os seres humanos.

A espécie possui espinhos que contém veneno e podem causar dores, convulsões e até paradas cardíacas –como aconteceu com um pescador na Praia de Bitupitá, em Barroquinha, no Ceará, no dia 18 de abril.

Francisco Mauro da Costa Albuquerque, 24, pisou em um peixe-leão e foi levado a um hospital da região com dores e convulsões provocadas pelo veneno do animal. O pescador chegou a ter duas paradas cardíacas até ser reanimado por médicos.

No Ceará, o Pterois volitans, nome científico do peixe-leão, já foi localizado em Camocim, Acaraú, Cruz e no município de Jijoca de Jericoacoara, uma das praias mais conhecidas do país. No Piauí, em Cajueiro da Praia, próximo à divisa com o Ceará.

"Até agora, foram encontrados 30 indivíduos [no estado], mas à medida que os anos forem passando, a quantidade pode aumentar, se não houver um controle ambiental por parte das autoridades", diz o professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

No arquipélago pernambucano de Fernando de Noronha, a captura mais recente aconteceu no dia 22 de abril. Já foram capturados 49 peixes-leões e outros 23 foram vistos. Há ainda outros três casos suspeitos investigados.

O animal tem sido encontrado em até de oito metros de profundidade no Brasil.

Uma das preocupações de pesquisadores é com a possibilidade do peixe-leão se alastrar rapidamente pelo litoral, já que a fêmea reproduz a cada quatro dias.

"Não há dúvidas que o peixe leão está em fase de expansão no litoral nordestino.

Possivelmente, estruturas artificiais como barcos naufragados e marambaias [estruturas que os pescadores colocam no fundo do mar para agregar lagostas e peixes, facilitando a pesca] estejam sendo utilizados pelos peixes-leão como trampolins", afirma o biólogo Cláudio Sampaio, professor da UFAL (Universidade Federal de Alagoas).

O peixe-leão também pode causar desequilíbrio ecológico entre os bichos marinhos, já que é predador de outros animais.

"Como os peixes nativos do Brasil não conhecem o peixe-leão, nunca tiveram qualquer contato com essa espécie que é uma predadora eficiente, são facilmente comidos em grande número, causando impactos negativos nos recifes e consequentemente prejuízos na pesca", acrescenta Sampaio.

Além dos impactos biológicos, a pesca também sofre consequências –e caso o animal se alastre, há o temor que isso afete o turismo.

O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em Fernando de Noronha acredita que a população do peixe-leão vai aumentar no local em um futuro próximo e pode pôr em risco a fauna marinha local, de acordo com um relatório do órgão.

"Noronha é um ambiente insular especial, mas pode se tornar pobre em vida marinha e perder seus atrativos e valores turísticos com a chegada do peixe-leão", acrescenta o instituto.

A origem do peixe-leão é no Oceano Indo-Pacífico, mas a espécie está presente também nas águas do Caribe, no Atlântico Norte. Não há confirmação de como o animal veio parar nas águas do Atlântico Sul. Uma das hipóteses discutidas é que tenha sido trazido por correntes marinhas.

Pesquisadores reafirmam a necessidade de uma política pública em larga escala, incluindo capacitação de pescadores e mergulhadores. "O tempo é algo precioso, nesses casos de bioinvasão, para a tomada de medidas mais eficientes de manejo, fundamentadas nas melhores informações. Atualmente a velocidade da invasão é alta, fazendo com a implementação de manejo seja urgente", afirma Sampaio.

Beneficiado por atividades frequentes de mergulho, Fernando de Noronha monitora o cenário em parceria com empresas do arquipélago e capacitações para captura e repasse de informações do peixe-leão.

No arquipélago, o ICMBio faz imersões mensais em áreas onde não é permitido mergulho ou são pouco visitadas e também em localidades onde houve avistamento de peixes, sem a sua captura.

Em Jericoacoara, as buscas irão se intensificar quando a visibilidade da água melhorar, o que deve acontecer nas próximas semanas.

"Estamos esperando dar uma trégua na água doce para fazer mais buscas. Mas tudo indica que, nas áreas de muitas pedras, deve ter muitos peixes leões", diz Chico Bento, secretário de Aquicultura e Pesca de Jijoca de Jericoacoara.

A orientação dos especialistas é que, independentemente de localidade, o banhista ou pescador que se deparar com a espécie do peixe-leão mantenha distância e avise os órgãos competentes.

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