Ricardo Della Coletta e Raquel Lopes (Folhapress)

Diante do aumento do número de brasileiros tentando entrar de modo ilegal nos EUA, o governo do México decidiu voltar a exigir visto de entrada de cidadãos do Brasil que queiram entrar no país como visitantes.

Um anteprojeto da determinação foi publicado nesta quinta-feira (14) no site da Comissão de Melhora Regulatória, órgão do governo mexicano. Atualmente, para entrar no México com o objetivo de fazer turismo, os brasileiros precisam apenas apresentar o passaporte.

Depois de um fluxo de migrantes reduzido em 2020 devido à pandemia da Covid-19, a quantidade de brasileiros tentando entrar de forma ilegal nos EUA explodiu neste ano.

Segundo dados do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), foram mais de 47 mil apreensões entre outubro de 2020 e setembro de 2021. De acordo a Polícia Federal, só em agosto 9.000 pessoas foram presas na travessia do México para os Estados Unidos.

O texto do anteprojeto diz que foi identificado um "aumento substancial" de brasileiros que ingressam no país "com finalidade distinta da permitida" como visitante temporário -ou seja, para turismo ou negócios.

Os brasileiros, assim como muitos imigrantes centro-americanos, costumam voar até o México para, dali, tentar cruzar a fronteira terrestre com os EUA.

"Parte dessa situação é refletida nos controles migratórios, com a identificação de pessoas cujo perfil não se ajusta ao de visitante ou de turista genuíno e que apresentam inconsistências na documentação, robustecendo a possibilidade que um número significativo de pessoas que pretendem usar a não exigência de vistos de forma indevida", diz o documento da Secretaria de Governo do México.

O documento estabelece que a exigência de visto valerá a partir de 15 dias da publicação da nova norma.

Em Portugal, vinho é coisa séria e orgulho nacional. No fechado universo vínico do país, porém, nota-se cada vez mais a presença de profissionais brasileiros, da produção à degustação. Além de criar uma premiada marca de vinhos, o empresário paulista André Manz, por exemplo, foi responsável por ajudar a evitar a extinção de uma uva nativa considerada perdida.

Apreciador de vinhos, o brasileiro começou no setor como um hobby, já que, antes de enveredar pela produção de vinhos, em 2010, Manz, em Portugal há 33 anos, criou uma das maiores empresas de fitness do país.

A oportunidade surgiu após se mudar com a família para Cheleiros, pequena cidade a cerca de 45 km de Lisboa, e se deparar com algumas vinhas antigas. Uma variedade de uva branca em particular, pequenina e muito doce, acabou lhe chamando a atenção. Após uma investigação, descobriu que se tratava de uma plantação de jampal, que, por ser considerada frágil e pouco rentável, havia caído em desuso.

O empresário decidiu investir no cultivo da espécie, dando origem ao Dona Fátima, primeiro vinho da Manzwine. A produção cresceu e ajudou a revitalizar o centro histórico de Cheleiros. Atualmente, Manz também produz vinhos na região do Douro, na península de Setúbal e na Toscana, na Itália.

O empresário relata que, nos primeiros anos do negócio, sentiu um pouco de dificuldade por ser um brasileiro no mundo dos vinhos em Portugal. "Nos primeiros cinco anos eu senti dificuldade, porque ainda não havia muitos brasileiros. Quando eu fazia viagens internacionais com outros produtores, me sentia estranho. Não é que eu fosse discriminado, longe disso, mas era estranho", afirma.

Para Manz, a boa recepção do público -a empresa já exporta para quase 30 países e tem no Brasil um mercado importante- e as premiações ajudaram a conquistar espaço entre os portugueses. "Para além do negócio em si, o vinho é uma comunidade, forma relações de companheirismo, o que é gratificante."

Após várias experiências no ramo de vinhos, incluindo uma adega em São Paulo, uma sociedade no ramo de exportação e uma temporada de estudos em Londres, o recifense Ricardo Melo decidiu começar sua própria produção da bebida em Portugal. Na região de Torres Vedras, próximo a Lisboa, ele encontrou uma propriedade com quase 500 anos de história, a Quinta da Ermegeira, que até então estava abandonada.

Após recuperar o espaço e as vinhas, Melo deu início à confecção dos chamados vinhos naturais: orgânicos, não filtrados e sem adição de fermentos ou de açúcar. Ele lamenta não ter conseguido vender o produto no Brasil até o momento. "Tentei fazer o possível, fui para feiras em São Paulo, mas todo mundo acha que está muito difícil, que o câmbio faz tudo ficar muito caro. Mas ainda tenho esperança", diz.

A maior parte da produção da Quinta da Ermegeira já é para exportação, e os dois maiores mercados são os Estados Unidos e o Japão, onde a demanda por vinhos naturais é bastante aquecida.

"O mercado de vinhos naturais é um nicho muito específico. São vinhos sem interferências, sem aditivos químicos, sem nada. É um conceito que existe no mundo inteiro, inclusive na Europa, mas que em Portugal não tinha sido muito difundido. Esse movimento começou há menos de cinco anos", explica.

A recuperação de antigas fazendas abandonadas, aliás, tem sido uma porta de entrada para muitos brasileiros interessados em se aventurar na produção de vinhos.

No Norte de Portugal, no Douro -região vinícola demarcada como a mais antiga do mundo-, o mercado para estrangeiros tem estado particularmente aquecido. A presença brasileira, no entanto, não se limita à produção. Sommeliers e enólogos do país são presença comum em restaurantes e lojas de referência.

É o caso do carioca Pedro Henrique Ramos, 39, um dos sommeliers chefes do Alma, restaurante em Lisboa com duas estrelas Michelin, e influencer de vinhos nas redes sociais. Especialista em vinhos portugueses, ele se mudou para Portugal em 2014 para estudar todas as etapas da produção da bebida, da plantação à degustação. Pedro chegou a morar durante um período em uma fazenda na região do Alentejo para acompanhar a colheita das uvas e o processo de fabricação dos vinhos. Ele conta ter ficado fascinado pelos vinhos portugueses ainda criança, após passar férias com a família em Portugal e visitar as históricas caves do vinho do Porto.

Conhecido nas redes sociais como Pedrones, o sommelier concilia o trabalho no restaurante com posts e vídeos bem-humorados nas redes sociais. Junto com a esposa, a especialista em comunicação digital Liana Saldanha, ele dá dicas e ensina técnicas de harmonização e degustação da bebida.

Ramos relata que o fato de ser brasileiro, às vezes, causa alguma desconfiança entre os clientes lusitanos. "Felizmente é algo raro, mas já aconteceu. Houve um cliente que fez questão de dizer que não estava muito confiante na minha indicação. No fim das contas, depois de provar o vinho, ele veio me pedir desculpas. Nesses casos, a melhor resposta que eu posso dar é o meu trabalho", diz.

Inaugurado em 2019 e já com uma estrela Michelin, o restaurante Eneko Lisboa também tem um brasileiro como sommelier. A harmonização dos vinhos da casa fica a cargo do paulista Diego Apolinário, que integra o projeto desde a abertura. Em Portugal há oito anos, ele relata que a conexão com o mundo dos vinhos aconteceu por acaso, já após se estabelecer na capital portuguesa.

"Resolvi me mudar para Portugal depois de vir de férias e me apaixonar pelo país. Eu nem gostava de vinhos, mas comecei a trabalhar em um restaurante com uma pessoa espetacular. Meu chefe era uma enciclopédia ambulante, um dos sommeliers mais antigos do país. Comecei a estudar por conta própria e, depois, a fazer as certificações internacionais", explica.

Os estudos e as provas de certificação como sommelier o levaram ainda para Áustria e Reino Unido. "Os portugueses têm muito orgulho de seus vinhos. Então, num primeiro momento, pode até haver alguma desconfiança, mas é só começarmos a falar sobre o tema que a conexão vem", diz. "Os portugueses são bem mais abertos do que muita gente espera."

Mayara Paixão (Folhapress)

Em junho de 2009, eram anunciados em Portugal, após uma sequência de shows que incluiu a brasileira Daniela Mercury, os sete monumentos espalhados pelo mundo que, a partir de então, também seriam lembrados como maravilhas de origem lusitana.

Em comum, todos os nomes da lista tinham o fato de terem sido construídos durante a expansão marítima portuguesa, iniciada no século 15. A iniciativa para a competição nascera da fundação New 7 Wonders, baseada na Suíça, e teve apoio da administração pública portuguesa. Cerca de 240 mil pessoas participaram da votação, na qual disputavam 27 monumentos de 16 países.

Ao final, foram escolhidos: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (Minas Gerais, Brasil), Igreja e Convento de São Francisco (Bahia, Brasil), Fortaleza de Diu (Índia), Fortaleza de Mazagão (Marrocos), Basílica do Bom Jesus (Índia), Cidade Velha de Santiago (Cabo Verde) e Ruínas de São Paulo (Macau).

Apesar da participação popular, à época algumas críticas também se levantaram. O ponto de tensão era a exaltação do passado português no discurso da identidade nacional em detrimento do presente. O antropólogo João Leal, professor da Universidade Nova de Lisboa, foi um dos que apontaram críticas.

Hoje, à Folha, ele sustenta o argumento. "No fundo disso está um discurso das elites, mas que acaba por ser popular: a ideia de que hoje somos um país pequeno, mas já fomos um país grande."

O discurso em relação aos descobrimentos e à expansão marítima portuguesa, diz Leal, ainda carece de um contrapeso que fale da violência –como a escravidão–, e não apenas da exaltação do período.

"E o poder político não tem feito o que é necessário para encarar essa realidade de forma complexa, para que não se olhe apenas para as zonas de luxo, mas também para as zonas de sombra", observa.

Mas faz um adendo: a crítica não exclui a importância de valorizar as sete maravilhas, muitas vezes recurso turístico para os países em que se localizam. O importante, diz, é que os monumentos sejam apresentados ao visitante não apenas como um registro heroico, mas contem a história mais complexa da colonização portuguesa. "É importante que os próprios monumentos estejam ligados a centros de pesquisa que contem a história –o que já acontece em muitos deles."

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (Minas Gerais, Brasil)

Mais do que parte da história da colonização portuguesa e das ordens religiosas no país, o monumento, localizado na cidade de Ouro Preto, é reconhecido em razão de Antônio Francisco Lisboa (1738 - 1814), o Aleijadinho, arquiteto e escultor brasileiro que por mais de 20 anos trabalhou no edifício, imprimindo a marca do barroco mineiro.

A Ordem Terceira de São Francisco foi fundada em 1746 no país, na Capela do Bom Jesus dos Perdões; dez anos depois, já contava com mais de mil adeptos. Em 1766, teve início a construção da igreja pelo mestre de obras Domingos Moreira de Oliveira, natural da cidade do Porto. Quatro anos depois, Aleijadinho começa a trabalhar no projeto, que também contou com pintura do mineiro Manuel da Costa Ataíde (1762 - 1830), o Mestre Ataíde.

Em 1938, foi tombada pelo recém-criado Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, precursor do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A igreja também faz parte do itinerário do Museu Aleijadinho, pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Arquidiocese de Mariana.

Cidade Velha (ilha de Santiago, Cabo Verde)

Com frequência descrita por autoridades do arquipélago de Cabo Verde como o "berço da nação cabo-verdiana", a cidade foi a primeira aglomeração urbana construída pelos portugueses na região dos trópicos, em 1462, dois anos após aportarem e começarem a povoar o conjunto de ilhas. Foi, ainda, a primeira capital de Cabo Verde –até que perdeu o posto para a cidade de Praia, também na ilha de Santiago.

A região foi inicialmente batizada de Ribeira Grande e, ao longo dos séculos 16 e 17, usada como entreposto do comércio escravagista no Atlântico. Ali paravam navios com homens e mulheres capturados na costa da África para reabastecer até que pudessem seguir viagem para a Europa ou a América. Ainda que Cabo Verde seja historicamente marcado por dificuldades no acesso à água, em razão de secas cíclicas, a proximidade de Cidade Velha de uma fonte de água a favoreceu.

As construções urbanas foram erguidas por mão de obra cativa e, entre as poucas que se mantêm em pé, está a igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde pregou o padre jesuíta António Vieira (1608-1697). Em 2009, Cidade Velha foi tombada como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Ruínas de São Paulo (Macau)

Ponto turístico da região administrativa especial de Macau, na China, as ruínas são formadas pelo que restou de um complexo religioso que alojava a Igreja da Madre de Deus, erguida entre 1601 e 1640, e o Colégio Jesuíta de São Paulo. Um incêndio consumiu a maior parte dos edifícios em 1835, o que fez com que os muros fossem postos abaixo, para não representar perigo à população, restando apenas a fachada.

Ocupada por Portugal desde a segunda metade do século 16, Macau seguiu como território ultramarino português até 1999. Ordens religiosas, como a de franciscanos, dominicanos e jesuítas, atuaram na região. O Colégio de São Paulo é considerado a primeira instituição de ensino superior ocidental em território chinês, na qual eram formados missionários para o Japão e para a China.

Basílica do Bom Jesus em Goa (Índia)

Inaugurada em 1605 em Velha Goa, então capital da ocupação portuguesa na Índia, a basílica foi encomendada pela ordem religiosa dos jesuítas em 1594. Foi construída com o objetivo de abrigar as relíquias de São Francisco Xavier (1506-1552), que foram transferidas em 1624.

A estética do edifício teve inspiração nas construções arquitetônicas europeias, mas é celebrada em Goa por ter sido feita com materiais e mão de obra locais. A basílica sobreviveu mesmo depois que Portugal expulsou os jesuítas de Goa, em 1759.

Apesar da importância do monumento, moradores locais temem que ele entre em colapso devido à ação da água das fortes chuvas das monções, que tem erodido a construção. Em entrevista à agência de notícias Lusa em janeiro, o padre Patrício Fernandes, responsável pelo local, disse que a fragilidade da estrutura foi desencadeada durante a ditadura de António Salazar (1932 - 1968), que retirou parte da argamassa da basílica para fazê-la parecer ainda mais antiga.

Igreja e Convento de São Francisco (Bahia, Brasil)

Considerado uma das construções mais importantes dos franciscanos no Brasil, o conjunto começou a ser erguido em 1686, quase um século após a ordem religiosa se estabelecer no estado da Bahia.

Primeiro, foram construídos os dormitórios dos frades; depois, a partir de 1708, a capela-mor e a igreja. Mesmo incompleta, a igreja, construída com a doação de moradores locais, foi aberta em 1713, e a estrutura foi concluída em 1723. Teve início, então, a ornamentação interna, que hoje atrai muitos turistas.

Na capela-mor estão dois altares –um em devoção a Nossa Senhora da Conceição, outro a Santo Antônio de Lisboa– e também uma lâmpada de prata de quase dois metros de altura. Os azulejos do espaço são provenientes de Lisboa e apresentam passagens da vida de São Francisco.

O monumento conta com um pátio interno, cercado por passagens com painéis de azulejos portugueses, sem autoria conhecida, apresentando cenas mitológicas, e é aberto à visitação do público.

Fortaleza de Diu (Índia)

Localizada na ilha indiana de Diu, a fortaleza foi construída pelos portugueses para defender o crescente comércio de especiarias no século 16. Após tentativas malsucedidas de ataques militares para conquistar o local, Portugal, potência marítima, enfim estabeleceu uma aliança com o governo local para ajudar a defender Diu do império Mogol. Com isso, obteve permissão para construir um forte e colocar seus homens nele.

O território permaneceu sob controle português por mais de quatro séculos, de 1537 a dezembro de 1961, até o governo indiano lançar uma ofensiva militar –conhecida como Operação Vijay– e reconquistar a área.

Cercada por água, a fortaleza possui um cais que ainda é usado. É possível ver os canhões espalhados por todo o parapeito do local. O espaço está atualmente sob a administração do governo indiano.

Fortaleza de Mazagão (El Jadida, Marrocos)

Hoje parte da cidade marroquina de El Jadida, a antiga ocupação portuguesa em Mazagão, que resultou na construção de uma fortaleza, está situada a 90 quilômetros de Casablanca, maior cidade do país. O forte colonial lusitano foi erguido no início do século 16 na costa do Atlântico e reconquistado pelos marroquinos em 1769.

A ocupação foi uma das primeiras dos portugueses na costa ocidental do continente africano em busca de uma rota marítima até a Índia e alcançou rápido desenvolvimento urbano, levando também a construção de quatro igrejas e várias capelas dentro da fortaleza.

Joana Cunha (Folhapress)

Negócios ligados ao mercado de viagens internacionais começam a se movimentar com a perspectiva da liberação da fronteira dos EUA para a entrada de passageiros vacinados do Brasil. Empresas de imigração, seguros de viagens e casas de câmbio se preparam para atender a demanda represada.

Desde a semana passada, quando a Casa Branca fez o anúncio da reabertura prevista para novembro, a procura de clientes já aumentou nas empresas de imigração. A medida ainda precisa ser oficialmente publicada e regulamentada pelo governo americano.

O presidente da Hayman Woodward, Leonardo Freitas, disse que, na própria segunda, recebeu contatos de clientes pedindo detalhes sobre a liberação. A empresa, que tem cerca de 250 funcionários, vai contratar quase 60 profissionais a mais para atender o salto na demanda de brasileiros e chineses. A suspensão dos vistos americanos na pandemia provocou gargalo nos procedimentos e o volume de trabalho deve aumentar muito após a liberação.

Wagner Pontes, presidente da D4U USA, que atende investidores e famílias em busca do green card, diz que o represamento se deu na etapa da entrevista consular, feita após a aprovação do aplicante nos EUA.

Segundo ele, a opção para agilizar as entrevistas, que devem levar algum tempo para se normalizar por aqui após a retomada dos consulados americanos, é realizar essa etapa nos EUA, já que as viagens ao país serão liberadas.

"É um procedimento chamado ajuste de status, para quem já tem algum visto, como o de turista, e teve a aprovação do green card", diz ele.

A reabertura das viagens para os EUA também melhora o horizonte das casas de câmbio que sofreram queda da demanda na pandemia, segundo Tatiana Goes, da Goes Invest. "A procura pela moeda estrangeira retomou. O retorno da possibilidade de o brasileiro viajar aquece o mercado de compra de papel-moeda, que teve uma queda dramática", diz a economista.

O segmento de seguro de viagens também espera um crescimento. Para a Allianz Travel, o avanço estimado é de 20% a 25% nas emissões de vouchers para a América do Norte com a liberação das fronteiras dos Estados Unidos e do Canadá.

O governo do Reino Unido aprovou a eliminação da exigência da quarentena em hotéis para viajantes de 47 países, reduzindo assim a chamada "lista vermelha" para apenas sete nações. Com isso, turistas partindo do Brasil com esquema de imunização completo serão autorizados a entrar no país europeu sem a necessidade de realizar quarentena após o desembarque.

A lista de países autorizados inclui também África do Sul, Índia e Turquia. Os recém-chegados totalmente vacinados terão de apresentar, no segundo dia em território britânico, um teste negativo para a Covid.

De acordo com informações dadas pelo ministro de Transportes, Grant Shapps, nesta quinta (7), as mudanças começam a valer na próxima segunda-feira (11).

A lista de países que seguem sujeitos à quarentena de dez dias em um hotel -com estadia custeada pelo próprio turista- é dominada por latino-americanos: Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Peru e Venezuela. O governo britânico justifica a permanência desses países pela preocupação com as variantes Lambda e Mu, presentes na América Latina.

As vacinas autorizadas pelo Reino Unido são as da AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Janssen. Turistas brasileiros completamente imunizados com a Coronavac ou, então, parcialmente imunizados com qualquer uma das vacinas, serão sujeitos a outras exigências. Terão de realizar um teste três dias antes do embarque e cumprir 10 dias de quarentena, com a opção de fazer um teste para ser liberado no tempo mínimo de cinco dias -nestes casos, o isolamento pode ser feito no local de estadia, e não necessariamente em um hotel.

O governo britânico frisou que o relaxamento das regras não se aplica no caso de o turista ter visitado um país da lista vermelha nos 10 dias antes de chegar ao Reino Unido. As informações completas, com detalhamento de como apresentar e solicitar os testes, estão disponíveis no site do governo britânico.

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido), como mostrou a Folha, vinha se queixando e pressionando o Reino Unido para a eliminação da quarentena obrigatória. O ponto de preocupação é a participação da delegação brasileira na COP 26, reunião global sobre o clima, que a partir de 31 de outubro em Glasgow (Escócia).

No caso de participantes que viajarão para a COP, o Reino Unido aceitará todos os imunizantes, mesmo o da Coronavac. O presidente Bolsonaro, porém, afirma reiteradamente em declarações públicas não ter se vacinado contra a Covid.

A indústria britânica do turismo perdeu dois verões inteiros por consequência das restrições de viagens impostas para conter a disseminação do coronavírus. Companhias aéreas vinham pleiteando que o governo levantasse regras, sob a justificativa de que testes caros e exigências que mudavam com frequência atrasavam o reaquecimento do setor, deixando a indústria do país atrás de seus pares europeus.

"Restaurar a confiança das pessoas nas viagens é a chave para reconstruir nossa economia e nivelar o país", disse Shapps. "Com menos restrições e mais pessoas viajando, todos poderemos continuar avançando com segurança rumo à recuperação."

A ministra das Relações Exteriores, Liz Truss, também afirmou que o relaxamento das regras vai ao encontro dos objetivos sociais e econômicos do país. "Estamos atingindo o equilíbrio certo entre manter as pessoas seguras, que continua sendo nossa prioridade, e dar a elas a liberdade de exercer responsabilidade pessoal, ao mesmo tempo que apoiamos o setor de viagens."

O anúncio do governo britânico vem pouco mais de um dia após o Brasil retirar as restrições que impediam a entrada de passageiros vindos do Reino Unido, da África do Sul e da Índia.
De acordo com decisão publicada no Diário Oficial da União na noite de terça (5), os viajantes precisarão apresentar um teste negativo para a Covid-19. Poderão ser apresentados o teste de antígeno, realizado em até 24 horas anteriores ao momento do embarque, ou laboratorial RT-PCR, realizado em até 72 horas anteriores ao momento do embarque.

Os viajantes também deverão apresentar à companhia aérea um comprovante, impresso ou eletrônico, da Declaração de Saúde do Viajante (DSV), em que concorda com as medidas sanitárias que devem ser cumpridas durante o período em que estiver no Brasil. O formulário está disponível no site da Anvisa e deve ser apresentado em até 24 horas antes do embarque.